Monte Everest: a montanha mais alta do mundo
O Monte Everest é a montanha mais alta da Terra medida em altitude acima do nível do mar, atingindo os 8 848,86 metros no seu cume. Situado no coração da cordilheira do Himalaia, na fronteira entre o Nepal e a Região Autónoma do Tibete (China), o Everest representa para muitos o ponto mais elevado do planeta — e também um dos objetivos mais exigentes da história do montanhismo. Em 2026, a época de escalada bate recordes de atividade, com novas regras ambientais e desenvolvimentos significativos no que toca ao acesso e à segurança.
Localização e nomes locais
O Everest ergue-se na fronteira dos distritos nepaleses de Solukhumbu e do condado de Tingri, na Região Autónoma do Tibete. Em nepalês, a montanha é designada Sagarmatha («deusa do céu», em sânscrito), nome que batiza o parque nacional que a rodeia do lado nepalês. No Tibete, é conhecida como Chomolungma, expressão em tibetano que se traduz aproximadamente como «deusa mãe do universo» ou «deusa mãe do mundo».
O nome ocidental, Everest, foi atribuído em 1865 pela Royal Geographical Society em homenagem a Sir George Everest, topógrafo-mor britânico da Índia entre 1830 e 1843. O próprio Everest pronunciava o seu apelido com dois sílabas — «Ee-vrest» —, não tendo participado diretamente nas medições que identificaram o cume como o mais alto da Terra.
Altitude oficial: 8 848,86 metros
A altitude do Everest foi objeto de medição e revisão ao longo de décadas. A primeira estimativa oficial, calculada em 1856 pelo Great Trigonometric Survey britânico, estabeleceu a cota de 8 840 metros. Durante décadas, o valor aceite internacionalmente foi de 8 848 metros, estabelecido pelo Survey of India em 1955.
Em dezembro de 2020, o Nepal e a China anunciaram conjuntamente uma nova medição oficial de 8 848,86 metros, após uma expedição conjunta que empregou tecnologia GPS e GNSS de alta precisão. Esta medição inclui a neve e o gelo permanente do cume, ao contrário de algumas medições anteriores que apenas contemplavam a rocha. É este o valor reconhecido pelas autoridades geográficas internacionais em 2026.
Importa salientar que a montanha não é estática: a colisão contínua entre a placa tectónica indiana e a placa euroasiática faz com que o Everest cresça alguns milímetros por ano. Ao mesmo tempo, sismos de grande intensidade, como o terramoto de 2015 no Nepal, podem reduzir ligeiramente a altitude medida.
A primeira conquista do cume
O cume do Everest foi atingido pela primeira vez em 29 de maio de 1953, pelo neozelandês Edmund Hillary e pelo sherpa nepalês Tenzing Norgay, no âmbito de uma expedição britânica liderada por John Hunt. A ascensão foi completada às 11h30 hora local, e a notícia chegou a Londres no mesmo dia da coroação da Rainha Isabel II, tornando o feito um símbolo de prestígio para o Reino Unido.
Antes desta conquista, várias tentativas tinham fracassado, incluindo as célebres expedições de George Mallory e Andrew Irvine em 1924 — cuja morte perto do cume alimentou durante décadas o debate sobre se os dois alpinistas britânicos poderiam ter chegado ao topo antes de Hillary e Tenzing. O corpo de Mallory foi encontrado em 1999; o de Irvine permanece desaparecido.
A temporada de 2026: recordes e novidades
A época de escalada de 2026 promete ser a mais movimentada de que há registo. As autoridades nepalesas estimam que o número de ascensões bem-sucedidas no lado sul (Nepal) ultrapasse as 950 — um valor sem precedentes. A procura por licenças mantém-se elevada, apesar do custo de cada autorização ter continuado a subir nos últimos anos.
Entre os destaques desta temporada, destaca-se o sherpa Kami Rita Sherpa, que em 2026 completou a sua 32.ª ascensão ao Everest aos 56 anos, consolidando o recorde mundial de mais subidas ao cume mais alto da Terra. O escalador britânico Kenton Cool atingiu o seu 20.º cume, o que constitui um recorde para alpinistas que não são de origem sherpa. O escalador chinês Gexi Luori realizou uma proeza inédita: subiu o Everest e o Lhotse duas vezes na mesma época — uma marca sem precedentes.
Um dado relevante para 2026 é o encerramento do lado norte (via tibetana), por decisão da China, sem que as autoridades tenham avançado com uma justificação detalhada. Todas as expedições desta temporada têm, por isso, de ser realizadas a partir do Nepal, pelo lado sul, o que concentra ainda mais o tráfego nessa via.
Novas regras ambientais
O crescimento exponencial do número de escaladores tem agravado o problema dos resíduos no Everest. Para 2026, o Nepal reforçou a legislação ambiental: cada membro de uma expedição é obrigado a retirar da montanha pelo menos 2 quilogramas de lixo a partir do Campo 2, para além dos já exigidos 8 quilogramas a depositar no Campo Base no final da expedição. O incumprimento implica a perda do depósito de segurança.
O acúmulo de lixo — garrafas de oxigénio vazias, tendas, equipamentos e resíduos humanos — é um dos maiores desafios ambientais que a montanha enfrenta. Estima-se que ao longo das últimas décadas tenham sido acumuladas dezenas de toneladas de resíduos em altitude, parte dos quais tem vindo a ficar exposta à superfície com o recuo dos glaciares.
O Everest é mesmo a montanha "mais alta"?
A resposta depende do critério utilizado. Por altitude acima do nível do mar, o Everest é incontestável — nenhuma outra montanha se aproxima dos seus 8 848,86 metros.
Porém, se o critério for a distância ao centro da Terra, o vencedor é o Chimborazo, no Equador, com 6 263 metros de altitude. Devido ao achatamento dos polos e ao equilíbrio equatorial do planeta, o cume do Chimborazo encontra-se a cerca de 6 384 quilómetros do centro da Terra — mais do que qualquer outro ponto da superfície terrestre, incluindo o Everest.
Se a referência for a altura total desde a base, o Mauna Kea, no Havai, supera todas as montanhas: os seus 4 205 metros acima do nível do mar são apenas a parte emersa de uma montanha vulcânica cuja base assenta no fundo do oceano Pacífico, perfazendo uma altura total de cerca de 10 210 metros.
Para fins geográficos e cartográficos convencionais, o Everest permanece, contudo, o ponto mais alto da Terra, sendo esta a medição relevante no contexto das ciências da Terra e do montanhismo.
Perguntas frequentes
Qual é a altitude oficial do Monte Everest em 2026?
A altitude oficial do Monte Everest é de 8 848,86 metros acima do nível do mar, valor estabelecido por uma medição conjunta do Nepal e da China em dezembro de 2020, reconhecida internacionalmente e em vigor em 2026.
Quem subiu o Everest pela primeira vez?
O Everest foi conquistado pela primeira vez em 29 de maio de 1953, pelo neozelandês Edmund Hillary e pelo sherpa nepalês Tenzing Norgay, no âmbito de uma expedição britânica.
Qual é o recorde de ascensões ao Everest?
Em 2026, o sherpa nepalês Kami Rita Sherpa detém o recorde com 32 ascensões ao cume do Monte Everest, feito completado nesta mesma temporada aos 56 anos de idade.
O Everest é a montanha mais alta em todos os sentidos?
Não. O Everest é a montanha mais alta medida em altitude acima do nível do mar. No entanto, o Chimborazo (Equador) é o ponto da superfície terrestre mais distante do centro da Terra, e o Mauna Kea (Havai) é a montanha com maior altura total desde a sua base submarina até ao cume.
É possível escalar o Everest pelo lado norte (Tibet) em 2026?
Não. Em 2026, a China mantém o lado norte do Everest encerrado para expedições de escalada, sem ter avançado com uma justificação oficial. Todos os alpinistas desta temporada devem aceder ao Everest pelo lado sul, a partir do Nepal.
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