Que montanha separa o Canadá do Alasca? Os Montes de São Elias
A fronteira entre o Canadá e o estado norte-americano do Alasca é marcada, em grande medida, por uma das cadeias montanhosas mais imponentes do hemisfério norte: os Montes de São Elias (em inglês, Saint Elias Mountains). Estendendo-se por cerca de 400 quilómetros ao longo da linha divisória entre o território canadiano do Yukon e o sudeste do Alasca, esta cordilheira alberga alguns dos picos mais altos da América do Norte, campos de gelo de dimensão continental e parques naturais reconhecidos pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade.
A cordilheira que define a fronteira
Os Montes de São Elias pertencem ao sistema das Cadeias Costeiras do Pacífico e estendem-se desde as Montanhas de Wrangell, a noroeste, até ao estreito de Cross Sound, a sudeste. A sua posição geográfica faz com que funcionem como uma barreira natural entre o interior do Yukon (Canadá), mais continental e árido, e a costa do Alasca, sujeita à influência do oceano Pacífico.
A fronteira política entre os Estados Unidos e o Canadá segue, nesta região, o 141.º meridiano oeste e alguns alinhamentos montanhosos estabelecidos por tratados do século XIX, nomeadamente o Tratado Anglo-Russo de 1825 e as negociações que se seguiram à compra do Alasca pelos Estados Unidos à Rússia em 1867. Os Montes de São Elias não foram apenas uma consequência da fronteira — em vários troços, os próprios cumes e cumeadas serviram de referência para a traçar.
A cordilheira divide-se internamente em duas faixas principais: as Kluane Ranges, a leste, com relevos mais arredondados e altitudes moderadas, e as Icefield Ranges, a oeste, onde se concentram os picos mais elevados e os campos de gelo mais extensos.
Os picos mais elevados da América do Norte
Os Montes de São Elias são, por direito próprio, um dos conjuntos montanhosos mais notáveis do planeta. A maioria dos picos principais ultrapassa os 5 000 metros de altitude, tornando esta cordilheira rival das grandes cadeias alpinas em termos de imponência vertical.
- Monte Logan — com 5 959 metros, é o ponto mais alto do Canadá e o segundo cume mais elevado de toda a América do Norte, logo a seguir ao Denali, no Alasca. Localizado inteiramente no Yukon, o Monte Logan tem a maior circunferência de base de qualquer montanha não vulcânica do mundo, com onze picos secundários acima dos 5 000 metros. Recebeu o nome de Sir William Logan (1798–1875), fundador do Serviço Geológico do Canadá. A primeira ascensão foi realizada em 23 de junho de 1925, por uma expedição liderada por A. H. MacCarthy e H. F. Lambert.
- Monte São Elias — com 5 489 metros, situa-se precisamente sobre a fronteira entre o Yukon e o Alasca, a cerca de 18 quilómetros do oceano Pacífico. É o segundo cume mais alto tanto do Canadá como dos Estados Unidos. A primeira ascensão foi realizada em 31 de julho de 1897 por uma expedição italiana chefiada pelo príncipe Luigi Amadeu, Duque dos Abruzos.
- King Peak — 5 173 metros, inteiramente no Yukon.
- Monte Steele — 5 067 metros, no Yukon.
- Monte Fairweather — 4 671 metros, na fronteira entre a Colúmbia Britânica e o Alasca.
- Monte Hubbard — 4 557 metros, também na linha divisória entre o Yukon e o Alasca.
O maior campo de gelo fora das regiões polares
Uma das características mais marcantes dos Montes de São Elias é a escala dos seus campos de gelo e glaciares. A região abriga o maior campo de gelo não polar do mundo, estendendo-se por cerca de 380 quilómetros entre o leste das Montanhas Chugach e o rio Alsek. Mais de 200 glaciares drenam esta massa gelada, alguns dos quais atingem o mar.
Entre os glaciares mais notáveis contam-se o Glaciar Malaspina, o maior glaciar pedral do mundo — ou seja, um glaciar de vale que se expande em leque ao atingir uma planície costeira —, o Glaciar Hubbard, o mais longo glaciar que termina no mar na América do Norte, e o Glaciar Seward-Bering, um dos maiores sistemas de gelo do continente. A espessura do gelo pode ultrapassar os 1 000 metros em alguns pontos.
Estas massas de gelo são monitorizadas atentamente pela comunidade científica internacional, uma vez que constituem indicadores sensíveis das alterações climáticas. Estudos recentes documentam a aceleração da retração de vários glaciares da região nas últimas décadas.
Proteção ambiental e Patrimónios da Humanidade
A importância ecológica e paisagística da região motivou a criação de um vasto complexo de áreas protegidas transfronteiriças. Em 1979 e depois em 1994, a UNESCO inscreveu a área conjunta Kluane / Wrangell–St. Elias / Glacier Bay / Tatshenshini-Alsek como Património Mundial da Humanidade, constituindo hoje o maior espaço protegido transfronteiriço do mundo.
O complexo inclui quatro unidades administrativas distintas:
- Parque Nacional e Reserva de Kluane (Yukon, Canadá) — abrange o Monte Logan e grande parte dos campos de gelo canadianos;
- Parque Nacional e Reserva de Wrangell–St. Elias (Alasca, EUA) — o maior parque nacional dos Estados Unidos, com mais de 53 000 km²;
- Parque Nacional e Reserva de Glacier Bay (Alasca, EUA) — conhecido pela retirada espetacular dos glaciares desde o século XVIII;
- Parque Provincial Tatshenshini-Alsek (Colúmbia Britânica, Canadá) — protege os vales fluviais a sul.
A fauna da região inclui ursos pardos (Ursus arctos), caribús, ovelhas de Dall e uma grande variedade de aves migratórias. Os ecossistemas variam da floresta boreal ao deserto ártico de altitude, passando por zonas subalpinas e campos de gelo permanentes.
História e exploração europeia
O primeiro avistamento europeu documentado do Monte São Elias data de 16 de julho de 1741, durante a expedição do explorador dinamarquês ao serviço da Rússia Vitus Bering, que se aproximou da costa do Alasca e identificou o cume que mais tarde receberia o nome do santo celebrado nessa data pelo calendário ortodoxo.
Durante o século XIX, a região foi objeto de explorações progressivas por parte de geógrafos, topógrafos e alpinistas. A delimitação exata da fronteira entre o Alasca e o Canadá foi alvo de disputa diplomática prolongada entre os Estados Unidos, o Reino Unido e o Canadá, resolvida definitivamente em 1903 por um tribunal arbitral.
A conquista dos picos principais concentrou-se no final do século XIX e início do século XX, com a ascensão ao Monte São Elias em 1897 e ao Monte Logan em 1925, ambas expedições de grande complexidade logística em ambientes extremamente hostis.
Perguntas frequentes
Que montanha ou cordilheira separa o Canadá do Alasca?
Os Montes de São Elias (Saint Elias Mountains) são a principal cadeia montanhosa que define a fronteira entre o Yukon (Canadá) e o Alasca (EUA). A linha fronteiriça segue o 141.º meridiano oeste e alguns alinhamentos montanhosos desta cordilheira.
Qual é a montanha mais alta dos Montes de São Elias?
O Monte Logan, com 5 959 metros, é o pico mais elevado dos Montes de São Elias e de todo o Canadá. É também a segunda montanha mais alta de toda a América do Norte, superada apenas pelo Denali, no Alasca.
Os Montes de São Elias pertencem ao Canadá ou aos EUA?
A cordilheira está dividida entre os dois países: a maior parte encontra-se no Yukon (Canadá) e no sudeste do Alasca (EUA). Vários picos, incluindo o Monte São Elias, situam-se precisamente sobre a fronteira entre ambos os países.
Os Montes de São Elias são Património da UNESCO?
Sim. A região faz parte do sítio transfronteiriço Kluane / Wrangell–St. Elias / Glacier Bay / Tatshenshini-Alsek, inscrito pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade. Trata-se do maior espaço protegido transfronteiriço do mundo.
Quais são os glaciares mais conhecidos nos Montes de São Elias?
Entre os mais notáveis contam-se o Glaciar Malaspina (o maior glaciar pedral do mundo), o Glaciar Hubbard (o mais longo glaciar que termina no mar na América do Norte) e o sistema Seward-Bering. A região alberga o maior campo de gelo não polar do planeta.