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O maior roubo de comboio da história: o Great Train Robbery

Publicado 13. novembro 2024 Atualizado 25. junho 2026

Qual é o maior roubo de trem da história?

Na madrugada de 8 de agosto de 1963, um bando de quinze homens parou um comboio postal britânico nas imediações da ponte de Bridego, no condado de Buckinghamshire, em Inglaterra, e fugiu com £2 631 684 em notas bancárias. O chamado Great Train Robbery — O Grande Roubo de Comboio — entrou para os registos do Livro Guinness dos Recordes como o maior assalto ferroviário da história mundial, equivalente a mais de 70 milhões de libras em valores de 2024. O crime tornou-se um dos casos mais célebres do século XX, inspirando décadas de livros, filmes e séries televisivas, e transformando alguns dos seus protagonistas em figuras míticas do submundo criminal britânico.

O alvo: o comboio postal Glasgow-Londres

O alvo dos assaltantes era o comboio postal nocturno que partia de Glasgow com destino a Londres, designado internamente pelos correios britânicos como o Up Special ou Travelling Post Office. Em agosto de 1963, os vagões transportavam uma carga excepcionalmente elevada de notas bancárias fora de circulação, enviadas pelos bancos escoceses para serem destruídas pelo Banco de Inglaterra após o regresso das férias de verão. Tratava-se de dinheiro físico, acondicionado em sacos postais, sem escolta policial dedicada, numa linha ferroviária relativamente deserta a essa hora da noite — uma conjuntura que os organizadores do crime aproveitaram com calculada precisão.

O plano e a execução

O crime foi organizado com uma minúcia invulgar para a época. O arquiteto da operação foi Bruce Reynolds, um ladrão experiente de Londres, que reuniu um grupo heterogéneo de criminosos especializados: ladrões de cofres, condutores de camião e até um piloto de corridas automóvel, Roy James. O bando, posteriormente apelidado de Gang of Fifteen, contou também com Gordon Goody, Buster Edwards, Charlie Wilson, John Daly, Jimmy White, Ronnie Biggs, Tommy Wisbey, Jim Hussey, Bob Welch e Roger Cordrey, entre outros.

Para imobilizar o comboio, os assaltantes manipularam os sinais ferroviários junto à localidade de Ledburn, substituindo a luz verde por uma luz vermelha construída artesanalmente com luvas de borracha e uma bateria. O Up Special parou por volta das 3h da manhã. Quando o condutor Jack Mills desceu para verificar a anomalia, foi agredido com uma moca; o assistente David Whitby foi igualmente imobilizado. Um membro do bando, recrutado especificamente para conduzir a locomotiva, revelou-se incapaz de operar aquele modelo, pelo que Mills, ainda atordoado, foi obrigado a mover o comboio até à ponte de Bridego, cerca de 800 metros adiante. Em menos de vinte minutos, os quinze homens descarregaram 120 sacos postais para camiões estacionados na estrada abaixo da ponte e desapareceram na escuridão.

O esconderijo e a queda do bando

O grupo recolheu à Quinta de Leatherslade, uma propriedade rural adquirida antecipadamente para servir de base de operações, onde os assaltantes permaneceram os dias imediatos ao roubo a dividir o espólio. Estava acordado que a quinta deveria ser limpa de pistas e abandonada ao fim de uma semana, mas a instrução não foi cumprida. Um agricultor vizinho alertou a polícia, que encontrou a propriedade com vestígios abundantes: impressões digitais, sacos de dormir, restos de comida e partes do dinheiro roubado.

As detenções sucederam-se nos meses seguintes. Em 1964, o tribunal de Aylesbury condenou os assaltantes a penas que totalizaram 307 anos de prisão — sentenças consideradas desproporcionadas por muitos juristas da época, num clima político de demonstração de firmeza contra a criminalidade organizada. Bruce Reynolds, o líder, demorou cinco anos a ser capturado, recebendo uma pena de dez anos.

Ronnie Biggs e a fuga que se tornou lenda

O membro mais famoso do bando foi, paradoxalmente, aquele com o papel menos relevante no crime: Ronnie Biggs. A sua função tinha sido recrutar um condutor de comboio reformado capaz de operar a locomotiva — o que, na prática, não funcionou. Biggs foi condenado a 30 anos de prisão, mas apenas 15 meses depois escapou da prisão de Wandsworth, escondido numa furgoneta de mobiliário. Após passagens por França e Austrália, instalou-se no Brasil em 1970, beneficiando da ausência de tratado de extradição entre os dois países.

No Brasil, Biggs tornou-se uma figura pública, colaborou musicalmente com a banda The Sex Pistols em 1978 e resistiu a várias tentativas de extradição ao longo das décadas seguintes. Em 2001, regressou voluntariamente ao Reino Unido por razões de saúde; foi libertado em 2009 por motivos humanitários, e faleceu em dezembro de 2013, aos 84 anos.

O dinheiro: o maior mistério do caso

Das £2 631 684 roubadas, apenas cerca de £400 000 foram recuperadas pelas autoridades britânicas. O paradeiro da esmagadora maioria das notas — aproximadamente £2,2 milhões — nunca foi esclarecido. Alguns dos condenados cumpriram integralmente as suas penas sem revelar onde o dinheiro estava oculto. É provável que parte das notas, sendo antigas e destinadas à destruição, tenha ficado inutilizável ou perdido valor com a inflação das décadas seguintes.

Outros grandes assaltos ferroviários na história

Antes do roubo britânico de 1963, o maior assalto ferroviário registado nos Estados Unidos foi o assalto de Rondout, ocorrido a 12 de junho de 1924 em Illinois. A denominada Quadrilha Newton — os irmãos Willis, Wylie, Joe e Jess Newton, naturais do Texas — assaltou um comboio postal americano e roubou mais de dois milhões de dólares em sacos postais, equivalentes a cerca de 37 milhões de dólares em valores de 2025. Contaram com a cumplicidade de William J. Fahy, um inspector dos correios que forneceu informação privilegiada sobre a carga. Ao contrário do caso britânico, quase todo o dinheiro foi recuperado pelas autoridades.

No contexto europeu e nos restantes continentes, os assaltos a comboios foram comuns ao longo dos séculos XIX e início do século XX, mas os montantes envolvidos eram sempre significativamente inferiores. O roubo de Buckinghamshire em 1963 permanece, segundo o Livro Guinness dos Recordes, o maior assalto a um comboio jamais documentado.

Legado cultural

O Great Train Robbery gerou uma extensa herança cultural no mundo anglófono e além. Em 1978, o realizador Michael Crichton adaptou o tema num filme de época protagonizado por Sean Connery e Donald Sutherland. Em 2013, a BBC produziu uma minissérie em duas partes para assinalar o 50.º aniversário do crime, explorando simultaneamente a perspectiva dos assaltantes e a dos investigadores. O caso é regularmente citado em análises sobre crime organizado britânico do pós-guerra, e a ponte de Bridego, em Buckinghamshire, continua a atrair visitantes interessados em história criminal.

Perguntas frequentes

Quanto dinheiro foi roubado no maior roubo de comboio da história?

No Great Train Robbery de 1963, no Reino Unido, foram roubadas £2 631 684 — o equivalente a mais de 70 milhões de libras em valores de 2024. É o maior roubo ferroviário registado segundo o Livro Guinness dos Recordes.

Quem planeou o Great Train Robbery de 1963?

O arquiteto do crime foi Bruce Reynolds, que liderou um bando de quinze homens com diferentes especialidades criminosas. Ronnie Biggs, o membro mais famoso do grupo, desempenhou apenas um papel secundário no assalto.

O que aconteceu ao dinheiro roubado no Great Train Robbery?

Apenas cerca de £400 000, de um total de £2,6 milhões, foram recuperadas pela polícia. O paradeiro da restante soma permanece desconhecido até hoje.

O que aconteceu a Ronnie Biggs após o roubo?

Biggs foi condenado a 30 anos de prisão, mas escapou 15 meses depois e viveu durante décadas no Brasil. Regressou voluntariamente ao Reino Unido em 2001, foi libertado em 2009 por razões de saúde e faleceu em dezembro de 2013.

Qual foi o maior roubo de comboio nos Estados Unidos?

O maior assalto ferroviário norte-americano foi o roubo de Rondout, em Illinois, a 12 de junho de 1924, em que a Quadrilha Newton roubou mais de dois milhões de dólares num comboio postal dos correios americanos.

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