Quem é o autor de Dom Quixote? Miguel de Cervantes
O autor de Dom Quixote é o escritor espanhol Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616). A obra completa, cujo título original é El ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha, foi publicada em duas partes, em 1605 e 1615, e é amplamente considerada o primeiro romance moderno e uma das obras fundadoras da literatura ocidental. Apesar de ter chegado a 2026 como o livro mais traduzido e estudado da língua espanhola, Cervantes escreveu-o já em idade madura e em circunstâncias pessoais difíceis, longe da glória que a obra viria a alcançar.
Quem foi Miguel de Cervantes
Miguel de Cervantes nasceu em Alcalá de Henares, perto de Madrid, provavelmente a 29 de setembro de 1547, e morreu em Madrid a 22 de abril de 1616 (sendo sepultado a 23 de abril, data hoje associada à sua memória). Filho de um cirurgião de modestos recursos, teve uma vida marcada por dificuldades económicas, pela aventura militar e pelo cativeiro.
Em 1571 participou na batalha naval de Lepanto, em que a Santa Liga enfrentou a frota otomana no Mediterrâneo. Cervantes foi gravemente ferido e perdeu o uso da mão esquerda, episódio que lhe valeu a alcunha de «o Manco de Lepanto». Anos mais tarde, quando regressava a Espanha, foi capturado por corsários e passou cinco anos preso em Argel, até ser resgatado em 1580.
De volta a Espanha, exerceu funções administrativas pouco gratificantes, nomeadamente como cobrador de impostos, atividade que lhe trouxe problemas com as contas da Coroa e levou à sua prisão por mais do que uma vez. Segundo a tradição, foi precisamente num desses períodos de reclusão que terá começado a conceber a história do fidalgo enlouquecido pela leitura de livros de cavalaria.
Quando e como foi publicado Dom Quixote
A primeira parte foi vendida ao livreiro e editor Francisco de Robles em meados de 1604; a licença para imprimir foi concedida em setembro desse ano, a impressão terminou em dezembro e o livro chegou às livrarias no início de 1605 (a edição de Madrid). O sucesso foi imediato: ainda em 1605 surgiram novas edições em Madrid, em Valência e também em Lisboa, sinal da rápida circulação da obra na Península Ibérica.
A segunda parte só apareceu dez anos depois, no final de 1615. Entretanto, em 1614, foi publicada uma falsa continuação assinada por um autor que usou o pseudónimo de Alonso Fernández de Avellaneda, cuja identidade real nunca foi confirmada. Essa apropriação irritou Cervantes, que respondeu na sua própria segunda parte, incorporando referências ao impostor na própria narrativa — um gesto literário invulgar para a época.
Porque é Dom Quixote tão importante
A obra narra as desventuras de Alonso Quijano, um fidalgo da região da Mancha que, de tanto ler romances de cavalaria, perde o juízo e decide tornar-se cavaleiro andante sob o nome de Dom Quixote de la Mancha. Acompanhado pelo seu escudeiro, o pragmático Sancho Pança, e montado no velho cavalo Rocinante, parte em busca de aventuras em nome da sua amada idealizada, Dulcineia del Toboso.
O contraste entre o idealismo delirante de Dom Quixote e o realismo terra-a-terra de Sancho Pança tornou-se um dos símbolos mais duradouros da cultura europeia. A célebre cena em que o protagonista combate moinhos de vento, julgando-os gigantes, deu origem à expressão «lutar contra moinhos de vento», sinónimo de combater inimigos imaginários.
Mais do que uma paródia aos romances de cavalaria que então abundavam, Dom Quixote introduziu técnicas narrativas que marcariam a ficção moderna: personagens com profundidade psicológica e capazes de evoluir, ironia, jogos entre realidade e ficção, e a presença de narradores que comentam a própria história. Por isso é frequentemente apontado como o primeiro romance moderno.
O nome em português: Dom Quixote ou Don Quijote
Em espanhol, o título original escreve-se Don Quijote. Em português europeu, a forma consagrada é Dom Quixote, com a grafia adaptada à nossa língua. A obra está disponível em inúmeras traduções portuguesas e continua, em 2026, a integrar planos de leitura, programas escolares e edições de referência, mantendo-se um clássico incontornável.
Outras obras de Cervantes
Embora seja recordado sobretudo por Dom Quixote, Cervantes foi um autor versátil. Entre os seus restantes títulos contam-se La Galatea (1585), romance pastoril; as Novelas ejemplares (1613), uma coletânea de narrativas breves; e Los trabajos de Persiles y Sigismunda (1617), publicado postumamente. Escreveu igualmente poesia e peças para teatro, ainda que estas tenham tido menos repercussão do que a sua obra-prima.
Perguntas frequentes
Quem escreveu Dom Quixote?
Dom Quixote foi escrito pelo autor espanhol Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616), considerado a maior figura da literatura em língua espanhola.
Em que ano foi publicado Dom Quixote?
A primeira parte foi publicada em 1605 e a segunda parte em 1615. A obra completa é, por isso, fruto de dez anos de intervalo entre os dois volumes.
Qual é o título original de Dom Quixote?
O título original, em espanhol, é El ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha, que se traduz por «O engenhoso fidalgo Dom Quixote da Mancha».
Porque é Dom Quixote considerado o primeiro romance moderno?
Por introduzir personagens com profundidade psicológica e capacidade de evolução, ironia, jogos entre realidade e ficção e narradores que comentam a história — recursos que viriam a definir o romance moderno.
O que significa «lutar contra moinhos de vento»?
É uma expressão inspirada na obra, em que Dom Quixote ataca moinhos julgando-os gigantes. Significa combater inimigos ou problemas imaginários, sem fundamento real.