Como o voleibol entrou nos Jogos Olímpicos em 1964
O voleibol estreou-se como modalidade olímpica nos Jogos de Tóquio, em 1964, mas essa estreia foi o ponto de chegada de um percurso que começara quase duas décadas antes. A entrada nos Jogos não resultou de um acaso: foi fruto de uma estratégia deliberada da federação internacional da modalidade, de uma votação decisiva do Comité Olímpico Internacional em 1957 e de circunstâncias favoráveis ligadas ao país anfitrião. Este artigo explica como o voleibol conquistou o seu lugar no programa olímpico e por que razão a edição de 1964 ficou marcada na história do desporto.
Das origens à federação internacional
O voleibol foi inventado em 1895, nos Estados Unidos, por William G. Morgan, instrutor da Associação Cristã da Mocidade (YMCA) em Holyoke, no Massachusetts. Concebido como uma alternativa menos exigente fisicamente ao basquetebol, foi inicialmente designado mintonette. A modalidade espalhou-se pelo mundo ao longo da primeira metade do século XX, em grande parte através da rede da YMCA e dos contingentes militares norte-americanos.
O passo institucional decisivo deu-se em 1947, com a fundação em Paris da Federação Internacional de Voleibol (FIVB), que passou a coordenar a modalidade a nível mundial. Dois anos depois, em 1949, realizou-se o primeiro Campeonato do Mundo masculino, em Praga, na então Checoslováquia. A criação de um organismo regulador único e a organização de competições internacionais de relevo foram condições essenciais para que o voleibol pudesse aspirar a um lugar nos Jogos Olímpicos.
O reconhecimento do COI e a votação de 1957
Ainda em 1949, o Comité Olímpico Internacional (COI) reconheceu o voleibol como modalidade não olímpica, um estatuto intermédio que abria a porta a uma futura inclusão. A FIVB trabalhou ativamente para convencer o COI de que o voleibol reunia condições para integrar o programa: difusão geográfica, regras estáveis e capacidade de atrair público.
A decisão tomou forma a 24 de setembro de 1957, durante a 53.ª sessão do COI, realizada em Sófia, na Bulgária. Para reforçar a candidatura, foi organizado um torneio de exibição em paralelo com a sessão, destinado a mostrar aos delegados o espetáculo e a competitividade da modalidade. A demonstração foi um êxito e o COI votou favoravelmente, reconhecendo o voleibol como desporto olímpico e confirmando a FIVB como entidade reguladora mundial da modalidade. Ficava assim acordada a estreia para os Jogos seguintes, em Tóquio.
Porquê Tóquio 1964
A escolha de Tóquio como palco da estreia revelou-se particularmente oportuna. No Japão, o voleibol — sobretudo o feminino — gozava então de enorme popularidade, alimentada por equipas de empresas e por uma cobertura mediática intensa. A modalidade beneficiou, por isso, de um ambiente entusiástico e de salas cheias, o que ajudou a consolidar a sua presença olímpica logo na primeira aparição.
Tóquio 1964 marcou também um momento histórico para o desporto feminino: o voleibol foi a primeira modalidade coletiva feminina a integrar o programa dos Jogos Olímpicos, abrindo caminho para a inclusão posterior de outros desportos de equipa praticados por mulheres.
O torneio de 1964: formato e resultados
A competição de estreia foi disputada em formato de grupo único, em que todas as equipas se defrontavam entre si. No torneio masculino participaram dez seleções; no feminino, seis. Os resultados foram os seguintes:
- Masculino: ouro para a União Soviética, prata para a Checoslováquia e bronze para o Japão.
- Feminino: ouro para o Japão, prata para a União Soviética e bronze para a Polónia.
A rivalidade entre o Japão e a União Soviética, que já se manifestara nos campeonatos do mundo do início da década, esteve no centro das duas finais e deu ao torneio uma carga competitiva notável.
As "Bruxas do Oriente" e o impacto cultural
A maior história da estreia foi a da seleção feminina japonesa, apelidada pela imprensa de "Bruxas do Oriente". Orientada pelo treinador Hirobumi Daimatsu — conhecido pelos métodos de treino extenuantes, que lhe valeram a alcunha de "Daimatsu, o Demónio" —, a equipa impôs-se de forma avassaladora, perdendo um único set em todo o torneio. A 23 de outubro de 1964, venceu a União Soviética na final perante o seu público.
O encontro teve um impacto social fora do comum: estima-se que a transmissão televisiva tenha alcançado, num dos seus picos, mais de 80% da audiência no Japão, números que ilustram como a modalidade se tornou um fenómeno popular e ajudou a cimentar o estatuto olímpico recém-conquistado.
Consolidação após a estreia
Apesar do êxito de 1964, o lugar do voleibol no programa não ficou imediatamente garantido. Chegou a ser equacionada a sua exclusão dos Jogos do México, em 1968, mas a proposta foi abandonada na sequência de fortes protestos. A partir daí, o voleibol manteve presença ininterrupta em todas as edições dos Jogos Olímpicos. Já em 1996, em Atlanta, juntou-se-lhe o voleibol de praia, e em 2026 ambas as disciplinas continuam a figurar entre as modalidades mais acompanhadas do programa olímpico.
Perguntas frequentes
Em que ano o voleibol entrou nos Jogos Olímpicos?
O voleibol estreou-se como modalidade olímpica nos Jogos de Tóquio, em 1964, com torneios masculino e feminino.
Quando foi decidida a inclusão do voleibol no programa olímpico?
A decisão foi tomada a 24 de setembro de 1957, na 53.ª sessão do Comité Olímpico Internacional, em Sófia, na Bulgária, apoiada por um torneio de exibição.
Que seleções venceram a estreia olímpica em 1964?
No masculino venceu a União Soviética; no feminino, o Japão, que derrotou a União Soviética na final.
Porque foi importante a estreia do voleibol feminino?
Porque o voleibol foi a primeira modalidade coletiva feminina incluída nos Jogos Olímpicos, um marco para o desporto praticado por mulheres.