CCitopendia

Sismo e tsunami do Alasca de 1964: consequências

Publicado 26. julho 2025 Atualizado 28. junho 2026

Quais as consequências do terremoto e tsunami de 1964 no Alasca?

O sismo que atingiu o sul do Alasca a 27 de março de 1964, dia de Sexta-Feira Santa, foi o mais forte alguma vez registado nos Estados Unidos e o segundo mais potente medido com instrumentos modernos, com uma magnitude de 9,2. O abalo durou cerca de quatro a cinco minutos e desencadeou uma série de tsunamis que provocaram a maior parte das vítimas mortais e da destruição. As suas consequências foram muito além dos danos imediatos: alteraram permanentemente a paisagem do Alasca, obrigaram comunidades inteiras a deslocar-se e tiveram um impacto duradouro na ciência e nos sistemas mundiais de alerta. Mais de seis décadas depois, em 2026, continua a ser uma referência no estudo dos grandes sismos de subducção.

Vítimas mortais e o papel dos tsunamis

O sismo de 1964 causou cerca de 131 mortes (algumas fontes apontam até 139). O dado mais marcante é que a esmagadora maioria — aproximadamente 124 — resultou não do abalo em si, mas dos tsunamis que se seguiram. O número relativamente baixo de vítimas, face à enorme energia libertada, explica-se pela baixa densidade populacional da região e pela hora a que ocorreu, ao final da tarde de um feriado, com escolas e muitos locais de trabalho vazios.

Os tsunamis estenderam a mortandade muito para lá do Alasca. Provocaram mortes e danos ao longo da costa oeste norte-americana, do Oregon até à Califórnia — onde a cidade de Crescent City foi particularmente afetada —, e causaram ainda estragos no Havai e no Japão.

Os dois tipos de tsunami

Uma das particularidades deste evento foi a ocorrência de dois fenómenos distintos. Por um lado, o grande tsunami tectónico, gerado pelo deslocamento súbito do fundo oceânico ao longo da zona de subducção, que viajou pelo oceano Pacífico. Por outro, dezenas de tsunamis locais provocados por deslizamentos submarinos e costeiros junto a portos e baías. Foram sobretudo estes últimos, mais rápidos e imediatos, que devastaram localidades como Valdez, Seward e Whittier poucos minutos após o início do abalo, sem qualquer hipótese de aviso.

As alturas de subida da água (run-up) atingiram valores extremos: cerca de 67 metros numa baía isolada de Prince William Sound, 27,4 metros em Chenega, 9,1 metros em Valdez e 6,1 metros em Kodiak. A aldeia de Chenega foi varrida por uma onda que matou 23 dos seus 68 habitantes.

Destruição material e comunidades afetadas

Os prejuízos materiais foram estimados em cerca de 3,1 mil milhões de dólares a preços atuais (corrigidos pela inflação). Várias localidades sofreram danos irreversíveis:

  • Valdez: construída sobre depósitos instáveis de sedimentos, sofreu um colapso do terreno do porto e foi posteriormente reconstruída num local mais seguro, vários quilómetros para o interior.
  • Seward: perdeu grande parte da sua frente marítima e instalações portuárias, com incêndios desencadeados por depósitos de combustível.
  • Anchorage: a maior cidade do estado, embora afastada do epicentro, sofreu danos graves provocados pela liquefação dos solos, com destaque para o deslizamento do bairro de Turnagain Heights e o colapso de zonas comerciais.
  • Chenega e Kodiak: comunidades costeiras e piscatórias arrasadas pelas ondas, com perdas humanas elevadas em proporção da população.

Alterações permanentes na paisagem

Uma das consequências mais notáveis foi a deformação do próprio terreno numa área vastíssima, estimada em dezenas de milhares de quilómetros quadrados. Algumas zonas costeiras subiram vários metros, deixando antigos fundos marinhos e portos a seco; outras afundaram, submergindo florestas e terrenos habitados. Estas mudanças de nível alteraram para sempre linhas de costa, ecossistemas e a viabilidade de portos e povoações inteiras, forçando relocalizações.

Impacto científico: a confirmação da tectónica de placas

Para a comunidade científica, o sismo de 1964 foi um ponto de viragem. O geólogo George Plafker, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), interpretou corretamente o evento como um sismo de subducção, em que a placa do Pacífico mergulha sob a placa norte-americana. O padrão de elevação e subsidência do terreno só podia ser explicado por este mecanismo de convergência de placas. Foi um contributo decisivo para a então emergente teoria da tectónica de placas, ajudando a consolidá-la como modelo dominante das ciências da Terra.

Sistemas de alerta e prevenção

A dimensão da catástrofe impulsionou mudanças profundas na preparação para desastres. Entre as consequências mais duradouras está a criação e o reforço dos centros de alerta de tsunamis da NOAA, que hoje vigiam o oceano Pacífico e outras bacias, bem como o desenvolvimento do programa de riscos sísmicos do USGS. Estas estruturas, ainda operacionais e modernizadas em 2026, devem em grande parte a sua existência às lições de 1964. O evento influenciou também normas de construção e o planeamento do uso do solo em zonas sísmicas.

Perguntas frequentes

Qual foi a magnitude do sismo do Alasca de 1964?

Teve magnitude de 9,2, sendo o sismo mais forte alguma vez registado nos Estados Unidos e o segundo mais potente medido com instrumentos modernos a nível mundial.

Quantas pessoas morreram?

Estima-se que cerca de 131 pessoas tenham morrido (com fontes a apontar até 139), das quais aproximadamente 124 em consequência dos tsunamis e não do abalo em si.

Porque é que os tsunamis causaram tantas mortes?

Para além do grande tsunami tectónico que percorreu o Pacífico, ocorreram dezenas de tsunamis locais provocados por deslizamentos submarinos. Estes atingiram os portos poucos minutos após o sismo, sem tempo para qualquer aviso.

Que importância teve o sismo para a ciência?

Foi fundamental para confirmar a teoria da tectónica de placas. A interpretação do geólogo George Plafker demonstrou que se tratava de um sismo de subducção, ajudando a consolidar o modelo de convergência de placas.

Que consequências ainda se sentem hoje?

O evento levou à criação dos centros de alerta de tsunamis da NOAA e do programa de riscos sísmicos do USGS, ambos ativos em 2026, além de ter forçado a relocalização permanente de cidades como Valdez.

{"@context":"https://schema.org","@type":"FAQPage","mainEntity":[{"@type":"Question","name":"Qual foi a magnitude do sismo do Alasca de 1964?","acceptedAnswer":{"@type":"Answer","text":"Teve magnitude de 9,2, sendo o sismo mais forte alguma vez registado nos Estados Unidos e o segundo mais potente medido com instrumentos modernos a nível mundial."}},{"@type":"Question","name":"Quantas pessoas morreram no sismo do Alasca de 1964?","acceptedAnswer":{"@type":"Answer","text":"Estima-se que cerca de 131 pessoas tenham morrido (com fontes a apontar até 139), das quais aproximadamente 124 em consequência dos tsunamis e não do abalo em si."}},{"@type":"Question","name":"Porque é que os tsunamis causaram tantas mortes?","acceptedAnswer":{"@type":"Answer","text":"Para além do grande tsunami tectónico que percorreu o Pacífico, ocorreram dezenas de tsunamis locais provocados por deslizamentos submarinos. Estes atingiram os portos poucos minutos após o sismo, sem tempo para qualquer aviso."}},{"@type":"Question","name":"Que importância teve o sismo para a ciência?","acceptedAnswer":{"@type":"Answer","text":"Foi fundamental para confirmar a teoria da tectónica de placas. A interpretação do geólogo George Plafker demonstrou que se tratava de um sismo de subducção, ajudando a consolidar o modelo de convergência de placas."}},{"@type":"Question","name":"Que consequências do sismo ainda se sentem hoje?","acceptedAnswer":{"@type":"Answer","text":"O evento levou à criação dos centros de alerta de tsunamis da NOAA e do programa de riscos sísmicos do USGS, ambos ativos em 2026, além de ter forçado a relocalização permanente de cidades como Valdez."}}]}

Artigos relacionados