Capital do Sri Lanka: Sri Jayawardenepura Kotte e Colombo
O Sri Lanka possui, na prática, duas capitais: Sri Jayawardenepura Kotte, a capital legislativa oficial onde funciona o Parlamento, e Colombo, a capital executiva e judicial, bem como o principal centro comercial e económico do país. Esta divisão resulta de uma decisão política tomada na década de 1970, com raízes num passado histórico que remonta ao século XIII, e permanece inalterada em 2026. A situação é por vezes fonte de confusão, pois a maioria dos mapas e organismos internacionais ainda listam Colombo como a capital, embora o estatuto oficial pertença a Kotte.
Uma nação, duas capitais
A coexistência de duas capitais funcionais não é exclusiva do Sri Lanka — casos semelhantes existem na África do Sul, na Bolívia e nos Países Baixos —, mas a particularidade deste país asiático reside na proximidade geográfica entre ambas as cidades. Sri Jayawardenepura Kotte é um subúrbio contíguo a Colombo, a apenas alguns quilómetros do centro da metrópole, integrado na área metropolitana da Grande Colombo. Do ponto de vista quotidiano, as fronteiras entre as duas cidades são quase imperceptíveis.
A distinção é essencialmente institucional: o Parlamento, a capital do estado e a sede formal do poder legislativo situam-se em Kotte; o Presidente da República, os principais ministérios, os tribunais superiores, as embaixadas estrangeiras e as grandes empresas mantêm-se em Colombo. Nenhuma das duas cidades se tornou exclusiva, o que resulta numa divisão administrativa singular.
Sri Jayawardenepura Kotte — a capital oficial
O nome completo da cidade traduz-se aproximadamente como "cidade resplandescente do crescimento e da vitória". A palavra kotte significa "fortaleza" em cingalês, e a designação "Sri Jayawardenepura" foi acrescentada em 1391, após a conquista do reino de Jaffna pelo príncipe Sapumal, como forma de celebrar a vitória. A cidade passou então a ser a capital do Reino de Kotte, o mais importante dos reinos cingaleses da época, entre 1415 e 1565.
A sua localização não era aleatória: rodeada por lagoas, rios e pântanos — em particular o rio Diyawanna Oya —, Kotte possuía defesas naturais que a tornavam difícil de atacar. Esta característica geográfica foi determinante para a escolha como sede do poder medieval. As mesmas águas que protegiam os reis da antiguidade continuam hoje a envolver o complexo parlamentar moderno.
A história colonial e a ascensão de Colombo
Com a chegada dos portugueses ao Sri Lanka em 1505, o equilíbrio político alterou-se profundamente. Os portugueses foram inicialmente recebidos com relativa abertura pelo rei de Kotte, mas rapidamente revelaram intenções militares e monopolistas. Em 1565, perante os ataques repetidos do reino vizinho de Sitawaka e a incapacidade de defender Kotte, os portugueses abandonaram a cidade e transferiram o seu centro de poder para Colombo, que já funcionava como porto natural de comércio.
Colombo manteve esse estatuto de capital ao longo dos períodos holandês (1658–1796) e britânico (1796–1948). Quando o Sri Lanka — então denominado Ceilão — alcançou a independência do Império Britânico em 1948, Colombo continuou a ser a capital do novo Estado, herdando toda a infraestrutura administrativa, comercial e diplomática do período colonial.
Por que razão foi Kotte escolhida como nova capital
A decisão de transferir a capital data de 1977, durante o governo do Presidente J. R. Jayewardene, o primeiro presidente executivo do Sri Lanka após a adoção da nova Constituição. As motivações foram de várias ordens:
- Congestionamento de Colombo: nas décadas seguintes à independência, os serviços governamentais cresceram de forma acentuada e os edifícios públicos em Colombo tornaram-se insuficientes para albergar todos os organismos do Estado.
- Significado histórico e simbólico: recuperar Kotte como sede do poder era um gesto de reafirmação da identidade cingalesa e da continuidade com os reinos medievais pré-coloniais, representando uma ruptura simbólica com a herança colonial britânica centralizada em Colombo.
- Proximidade geográfica: a escolha de Kotte, adjacente a Colombo, permitia a transferência gradual das instituições sem cortar laços com a infraestrutura existente, minimizando perturbações logísticas.
A decisão contou com o apoio do então Primeiro-Ministro Ranasinghe Premadasa, que em julho de 1979 obteve autorização parlamentar para a construção do novo edifício do Parlamento numa pequena ilha dentro do lago Diyawanna Oya.
O edifício do Parlamento e o lago Diyawanna
O novo complexo parlamentar foi projectado pelo arquitecto cingalês Geoffrey Bawa, uma figura central da arquitectura tropical moderna do século XX. O edifício foi construído na ilha de Duwa, com cerca de cinco hectares, localizada no centro do lago artificial formado pelo desvio e alargamento do Diyawanna Oya. A construção obrigou a extensas obras de aterro e modelação do terreno pantanoso preexistente.
O Parlamento foi inaugurado a 29 de abril de 1982, numa cerimónia presidida pelo Presidente Jayewardene, e marcou oficialmente a transferência da capital legislativa para Kotte. Nos anos seguintes, outros organismos governamentais foram gradualmente deslocados para a nova capital, embora o processo tenha sido lento e incompleto — razão pela qual Colombo continua a concentrar grande parte da vida administrativa do país.
O edifício, distinguido pela sua arquitectura que combina elementos modernistas com referências à tradição construtiva do Sri Lanka, é amplamente considerado uma das obras mais notáveis de Geoffrey Bawa e uma referência da arquitectura sul-asiática do século XX.
Colombo em 2026 — ainda o centro de facto
Apesar do estatuto oficial de Kotte, Colombo mantém em 2026 o papel de motor da vida nacional. Com uma população metropolitana superior a 700 000 habitantes no núcleo urbano e vários milhões na Grande Colombo, a cidade concentra as sedes das principais empresas, os tribunais superiores, a maioria das embaixadas e consulados, os principais hospitais, universidades e meios de comunicação. A Presidência da República funciona também a partir de Colombo.
Na prática, a distinção entre as duas capitais é frequentemente ignorada no quotidiano, e visitantes estrangeiros que chegam ao Sri Lanka raramente percepcionam a diferença territorial. Para efeitos diplomáticos, culturais e económicos, Colombo é tratada como a capital principal pela generalidade dos organismos internacionais.
Perguntas frequentes
Qual é a capital oficial do Sri Lanka?
A capital oficial e legislativa do Sri Lanka é Sri Jayawardenepura Kotte, onde se situa o Parlamento desde 1982. Colombo é a capital executiva e judicial, bem como o principal centro económico do país.
O que significa o nome Sri Jayawardenepura Kotte?
O nome significa aproximadamente "cidade resplandescente do crescimento e da vitória", sendo "kotte" a palavra cingalesa para "fortaleza". A designação "Sri Jayawardenepura" foi atribuída em 1391 para celebrar uma vitória militar do Reino de Kotte.
Por que razão o Sri Lanka mudou a capital de Colombo para Kotte?
A mudança foi decidida em 1977 pelo Presidente J. R. Jayewardene para aliviar o congestionamento administrativo em Colombo e para reafirmar simbolicamente a identidade cingalesa, recuperando uma cidade com relevância histórica pré-colonial. A proximidade de Kotte a Colombo facilitou a transição.
Colombo continua a ser capital do Sri Lanka?
Colombo mantém o estatuto de capital executiva e judicial, bem como de capital económica de facto. Muitos organismos internacionais continuam a identificá-la como a capital principal, embora o estatuto legislativo oficial pertença a Sri Jayawardenepura Kotte.
Quem projectou o edifício do Parlamento em Kotte?
O complexo parlamentar de Sri Jayawardenepura Kotte foi projectado pelo arquitecto Geoffrey Bawa, uma referência da arquitectura tropical moderna. O edifício, construído numa ilha artificial no lago Diyawanna Oya, foi inaugurado em 29 de abril de 1982.