Excesso de gases no estômago: como aliviar e prevenir
O excesso de gases no estômago é uma das queixas digestivas mais comuns e, na maioria dos casos, resulta de hábitos alimentares ou de engolir ar em excesso durante as refeições. Apesar de incómodo, provocando sensação de inchaço, distensão abdominal e, por vezes, dor tipo cólica, este problema costuma resolver-se com medidas simples. Existem, no entanto, situações em que os gases persistentes podem ser sinal de algo mais e justificam avaliação médica.
Porque se acumulam gases no estômago
Os gases digestivos formam-se sobretudo por dois mecanismos: a deglutição de ar durante a alimentação e a fermentação de alimentos pelas bactérias que habitam o intestino. Comer depressa, falar enquanto se mastiga, usar palhinha, mascar pastilha elástica ou beber bebidas gaseificadas são hábitos que aumentam a quantidade de ar engolido.
Do lado alimentar, certos alimentos ricos em hidratos de carbono fermentáveis são conhecidos por gerar mais gás durante a digestão, nomeadamente feijão, grão, ervilhas, couve, brócolos, cebola, e ainda alguns cereais integrais e fruta. Intolerâncias alimentares, como a intolerância à lactose, ou uma flora intestinal desequilibrada, também contribuem para o problema.
Medidas rápidas para aliviar o desconforto
Quando os gases já estão a causar desconforto, existem algumas estratégias que ajudam a facilitar a sua eliminação:
- Caminhar: uma caminhada ligeira estimula o trânsito intestinal e ajuda o gás a progredir.
- Massagem abdominal: massajar a barriga com movimentos circulares, no sentido dos ponteiros do relógio, favorece a mobilização do gás preso.
- Posições específicas: deitar de costas e trazer os joelhos ao peito, pressionando-os suavemente, é uma posição eficaz. A chamada "posição de gato" — de joelhos, com o peito apoiado no chão e o quadril elevado — também pode ajudar.
- Infusões: chás de hortelã-pimenta, erva-doce ou camomila têm propriedades carminativas tradicionalmente associadas ao alívio de gases e cólicas.
- Calor local: aplicar uma botija de água quente sobre a barriga pode relaxar a musculatura e reduzir a sensação de distensão.
Alimentação e hábitos a rever
A prevenção passa, em grande parte, por ajustar a forma de comer e o que se come. Mastigar bem e devagar, evitar falar durante as refeições, reduzir o consumo de refrigerantes e água com gás, e limitar o uso de pastilha elástica são medidas simples com efeito comprovado.
Em relação aos alimentos, não é necessário eliminar por completo leguminosas, vegetais crucíferos ou cereais integrais — que são importantes do ponto de vista nutricional — mas sim introduzi-los gradualmente e em quantidades moderadas, dando tempo ao organismo para se adaptar. Registar num diário alimentar os episódios de gases pode ajudar a identificar alimentos específicos que causam mais desconforto em cada pessoa.
Medicamentos e suplementos disponíveis
Quando as medidas comportamentais não são suficientes, existem opções farmacológicas de venda livre em farmácia que podem ser usadas pontualmente:
- Simeticona: é o fármaco mais utilizado para gases, atuando ao quebrar fisicamente as bolhas de gás no aparelho digestivo, o que facilita a sua eliminação. Costuma fazer efeito entre 10 a 30 minutos após a toma.
- Carvão ativado: ajuda a absorver gases no trato digestivo, embora possa interferir com a absorção de outros medicamentos, pelo que não deve ser tomado ao mesmo tempo.
- Antiespasmódicos: úteis quando os gases se acompanham de cólicas ou espasmos intestinais.
- Enzimas digestivas e lactase: indicadas em casos de intolerância a determinados alimentos, como os lacticínios.
- Probióticos: podem contribuir para reequilibrar a flora intestinal ao longo do tempo, embora o seu efeito seja mais gradual do que o dos antiflatulentos.
Estes produtos podem ser adquiridos sem receita médica, mas em caso de dúvida sobre a dose ou interação com outra medicação, o farmacêutico é a pessoa indicada para aconselhar.
Quando procurar um médico
Gases ocasionais raramente são motivo de preocupação. Contudo, é recomendável marcar consulta médica quando os gases persistentes surgem associados a outros sinais, nomeadamente:
- Dor abdominal intensa ou contínua;
- Perda de peso sem causa aparente;
- Alteração significativa e prolongada do hábito intestinal, como diarreia ou obstipação persistentes;
- Presença de sangue nas fezes;
- Febre associada aos sintomas digestivos.
Nestes casos, o médico pode pedir exames complementares para excluir causas como síndrome do intestino irritável, doença celíaca, intolerâncias alimentares não diagnosticadas ou outras patologias gastrointestinais que exigem tratamento específico.
Perguntas frequentes
A simeticona tem contraindicações?
É geralmente considerada segura e bem tolerada, com poucos efeitos secundários relatados, mas deve seguir-se sempre a posologia indicada na bula ou pelo farmacêutico, sobretudo em crianças, grávidas ou pessoas com outras patologias.
Beber água ajuda a eliminar gases?
Sim, manter uma boa hidratação favorece o trânsito intestinal e pode reduzir a sensação de inchaço, embora o efeito seja indireto e mais lento do que outras medidas.
O exercício físico regular previne o excesso de gases?
A atividade física regular melhora a motilidade intestinal de forma geral, o que tende a reduzir a acumulação de gases ao longo do tempo, para além do alívio pontual proporcionado por uma simples caminhada.
Os gases em excesso podem ser sinal de intolerância à lactose?
Podem, sobretudo se surgirem de forma recorrente após o consumo de leite e derivados, acompanhados de inchaço ou diarreia. Nesse caso, é aconselhável procurar um médico para confirmação através de exame específico.
É normal ter mais gases depois de aumentar o consumo de fibra?
Sim, é uma reação comum quando a quantidade de fibra na dieta aumenta de forma abrupta. O ideal é fazer esse aumento de forma gradual, acompanhado de boa hidratação, para permitir que o organismo se adapte.