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Que compostos químicos existem nos cigarros?

Publicado 23. maio 2026 Atualizado 26. junho 2026

Quais compostos químicos existem nos cigarros? Descubra!

Um cigarro aceso é uma pequena fábrica de reações químicas. Embora o tabaco em bruto contenha algumas centenas de substâncias naturais, é a combustão — que atinge temperaturas próximas dos 900 °C na ponta incandescente — que multiplica esse número de forma dramática. Segundo a Organização Mundial de Saúde e as principais agências de saúde, o fumo do tabaco contém mais de 7000 compostos químicos distintos, dos quais pelo menos 70 são reconhecidamente cancerígenos e várias centenas são tóxicos. Este artigo descreve, de forma rigorosa, que substâncias são essas, onde têm origem e por que motivo tornam o tabagismo a principal causa evitável de morte em Portugal e no mundo.

Quantos compostos químicos tem um cigarro?

É importante distinguir três realidades diferentes. O cigarro por fabricar contém aproximadamente 600 ingredientes declarados, entre folha de tabaco, humidificantes, aromatizantes e aditivos. Quando esses ingredientes ardem, porém, a queima gera reações de pirólise e combustão incompleta que dão origem a mais de 7000 compostos no fumo inalado. Por isso, o número que importa para a saúde não é o dos ingredientes, mas o das substâncias efetivamente produzidas e respiradas. Estimativas mais antigas referiam «4000 químicos»; a investigação analítica mais recente, com técnicas de cromatografia e espetrometria de massa, elevou esse total para lá dos 7000.

As principais substâncias tóxicas

Apesar da enorme diversidade, um conjunto relativamente pequeno de compostos concentra a maior parte do dano. Entre os mais relevantes contam-se:

  • Nicotina — alcaloide responsável pela dependência. Atua sobre os recetores do sistema nervoso, provoca libertação de dopamina e cria o ciclo de adição. Não é, por si só, o principal agente cancerígeno, mas é o que mantém o consumo.
  • Monóxido de carbono (CO) — gás inodoro que se liga à hemoglobina com afinidade muito superior à do oxigénio, reduzindo o transporte de oxigénio no sangue e sobrecarregando o coração.
  • Alcatrão — designação coletiva para o resíduo sólido e viscoso que se deposita nos pulmões. Não é uma substância única, mas uma mistura que concentra muitos dos agentes cancerígenos do fumo.
  • Cianeto de hidrogénio — composto que paralisa os cílios das vias respiratórias, comprometendo a limpeza natural dos pulmões.
  • Amoníaco — usado, entre outros efeitos, para aumentar a absorção de nicotina, intensificando o potencial aditivo.
  • Formaldeído, acetaldeído e acroleína — aldeídos irritantes e tóxicos, alguns deles cancerígenos, libertados na combustão.

Os compostos cancerígenos

Das milhares de substâncias presentes no fumo, pelo menos 70 estão classificadas como cancerígenas por organismos como a Agência Internacional de Investigação do Cancro (IARC). Entre as mais bem documentadas encontram-se:

  • Hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP), com destaque para o benzopireno, um dos cancerígenos mais potentes conhecidos, formado na queima de matéria orgânica.
  • Nitrosaminas específicas do tabaco (como a NNK e a NNN), formadas a partir da própria nicotina durante a cura e a combustão.
  • Benzeno — associado à leucemia.
  • Formaldeído — cancerígeno comprovado para o ser humano.
  • Metais pesadosarsénio, cádmio, chumbo, crómio, níquel e berílio, absorvidos pela planta do tabaco a partir do solo e dos fertilizantes.
  • Polónio-210 — elemento radioativo presente em vestígios, que contribui com uma pequena dose de radiação para os tecidos pulmonares.

De onde vêm estes químicos?

As origens são múltiplas. Alguns compostos, como os metais pesados e os resíduos de pesticidas, são absorvidos pela planta durante o cultivo. Outros são aditivos industriais introduzidos para regular a humidade, a combustão e o sabor. A maior fatia, contudo, nasce da própria combustão: a queima incompleta do tabaco e do papel transforma açúcares, celulose e proteínas em centenas de subprodutos tóxicos que não existiam no produto original. Por isso, mesmo um cigarro «natural» ou «sem aditivos» continua a libertar milhares de substâncias nocivas.

E o tabaco aquecido e os cigarros eletrónicos?

Os produtos de tabaco aquecido e os cigarros eletrónicos são por vezes apresentados como alternativas de risco reduzido por não envolverem combustão a alta temperatura. É verdade que, ao não arderem, geram menos compostos do que o cigarro convencional. Contudo, o aerossol que produzem não é inócuo: contém nicotina, partículas finas, metais provenientes das resistências e compostos como o formaldeído e a acroleína. As autoridades de saúde, incluindo a Direção-Geral da Saúde em Portugal, mantêm que «risco reduzido» não significa «ausência de risco» e que nenhuma destas formas de consumo é segura.

Perguntas frequentes

Quantas substâncias químicas tem o fumo de um cigarro?

O fumo do tabaco contém mais de 7000 compostos químicos distintos, formados sobretudo durante a combustão. Destes, pelo menos 70 são cancerígenos reconhecidos e várias centenas são tóxicos.

Qual é a substância mais perigosa do cigarro?

Não há uma única. A nicotina é a responsável pela dependência, mas o alcatrão, o monóxido de carbono, o benzopireno e as nitrosaminas estão entre os mais nocivos para os pulmões e o sistema cardiovascular.

O alcatrão é um único composto?

Não. O alcatrão é o nome dado ao conjunto de resíduos sólidos e viscosos que se depositam nos pulmões, uma mistura que concentra muitos dos agentes cancerígenos presentes no fumo.

Os cigarros sem aditivos são menos prejudiciais?

Não de forma significativa. A maioria das substâncias tóxicas resulta da combustão do próprio tabaco, pelo que um cigarro «natural» continua a libertar milhares de compostos nocivos.

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