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Consequências das bombas atómicas no Japão

Publicado 23. junho 2025 Atualizado 30. junho 2026

Os bombardeamentos atómicos de Hiroshima (6 de agosto de 1945) e Nagasaki (9 de agosto de 1945) foram os únicos ataques nucleares alguma vez realizados em contexto de guerra e marcaram de forma irreversível a história do Japão e do mundo. As consequências dividem-se em três grandes planos: a destruição humana e material imediata, os efeitos de saúde a longo prazo nos sobreviventes (hibakusha) e o impacto político e geoestratégico que ainda hoje molda o debate sobre armas nucleares. Mais de oito décadas depois, em 2026, o número de sobreviventes diretos continua a diminuir de forma acentuada, o que tem reforçado os esforços para preservar testemunhos e memória histórica antes que desapareçam por completo.

Quantas pessoas morreram em Hiroshima e Nagasaki?

As estimativas variam consoante a fonte e o período considerado, mas os números mais citados apontam para cerca de 140 mil mortos em Hiroshima e 73 mil em Nagasaki até ao final de 1945, contando as vítimas imediatas e as que morreram nos meses seguintes devido a ferimentos, queimaduras e envenenamento por radiação. No total, estima-se que cerca de 210 mil pessoas tenham perdido a vida nas duas cidades até dezembro de 1945, das quais aproximadamente 38 mil eram crianças. Em Hiroshima, perto de 78 mil dos 350 mil residentes morreram instantaneamente; em Nagasaki, cerca de 40 mil dos 240 mil habitantes tiveram o mesmo destino. Estes números continuaram a aumentar nas décadas seguintes, à medida que mais sobreviventes sucumbiam a doenças relacionadas com a exposição à radiação.

Destruição imediata das duas cidades

As explosões arrasaram praticamente tudo num raio de vários quilómetros a partir do hipocentro. Em Hiroshima, calcula-se que cerca de 70% dos edifícios tenham sido destruídos ou gravemente danificados. A infraestrutura de saúde colapsou de imediato: cerca de 90% dos médicos e enfermeiros da cidade morreram ou ficaram feridos, e 42 dos 45 hospitais existentes deixaram de funcionar, precisamente no momento em que mais eram necessários. Cerca de 70% das vítimas sobreviventes apresentavam ferimentos múltiplos, na maioria dos casos queimaduras graves provocadas pela onda de calor inicial, que atingiu temperaturas de milhares de graus celsius no centro da explosão. A onda de choque e os incêndios que se seguiram destruíram redes de água, eletricidade e transportes, dificultando o socorro às vítimas durante dias.

Efeitos da radiação a longo prazo

Para além da destruição imediata, a exposição à radiação ionizante teve consequências de saúde que se prolongaram durante décadas. Os investigadores identificam habitualmente três fases nos efeitos tardios:

  • Curto prazo (anos seguintes): aumento acentuado de casos de leucemia, com pico de incidência cerca de cinco a seis anos após os bombardeamentos.
  • Médio prazo (uma a duas décadas depois): aumento de cancros sólidos — tiroide, mama, pulmão e outros órgãos — em taxas significativamente acima da média da população japonesa.
  • Longo prazo: persistência de um risco elevado de cancro ao longo de toda a vida dos sobreviventes, bem como efeitos genéticos e de desenvolvimento estudados em filhos de hibakusha, ainda que sem evidência conclusiva de transmissão hereditária generalizada de mutações.

Estudos epidemiológicos de longo prazo, como os conduzidos pela Radiation Effects Research Foundation (sucessora da comissão criada pelos Estados Unidos e pelo Japão), continuam a acompanhar descendentes de sobreviventes para perceber melhor os efeitos transgeracionais da exposição à radiação.

O que aconteceu aos sobreviventes (hibakusha)?

Os hibakusha — termo japonês para "pessoas afetadas pela bomba" — enfrentaram, além das sequelas físicas, décadas de estigma social e discriminação no Japão, nomeadamente dificuldades em arranjar emprego ou casamento devido ao receio infundado de que a radiação fosse contagiosa ou hereditária. Só gradualmente, a partir da década de 1950 e sobretudo após a aprovação de leis de apoio governamental, os sobreviventes passaram a receber assistência médica e financeira do Estado japonês.

Em 2026, o número de hibakusha vivos continua a diminuir de forma constante. Segundo dados do Ministério do Bem-Estar Social do Japão, em meados de 2025 o total desceu pela primeira vez abaixo das 100 mil pessoas, fixando-se em cerca de 99.130 sobreviventes registados, com uma idade média superior a 86 anos. Esta tendência demográfica significa que, dentro de poucos anos, deixará de haver testemunhas diretas dos bombardeamentos, o que tem levado museus, organizações de memória e o próprio governo japonês a intensificar a digitalização de testemunhos, fotografias e objetos pessoais, de forma a preservar a memória histórica para as gerações futuras.

Consequências políticas e geoestratégicas

Os bombardeamentos precipitaram a rendição incondicional do Japão a 15 de agosto de 1945, pondo fim à Segunda Guerra Mundial. A longo prazo, marcaram também o início da era nuclear na política internacional: o Japão adotou uma política de não posse, não produção e não introdução de armas nucleares (os chamados "três princípios não nucleares") e tornou-se um dos principais defensores internacionais do desarmamento nuclear. Hiroshima e Nagasaki transformaram-se em símbolos globais do movimento antinuclear, organizando anualmente cerimónias de comemoração a 6 e 9 de agosto que continuam a reunir líderes mundiais, sobreviventes e ativistas. Estas cidades estiveram também na origem do impulso que conduziu a tratados internacionais como o Tratado de Não Proliferação Nuclear e, mais recentemente, o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, adotado pelas Nações Unidas em 2017.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas morreram nos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki?

Estima-se que cerca de 210 mil pessoas tenham morrido até ao final de 1945, somando as vítimas imediatas das explosões e as que faleceram nos meses seguintes devido a ferimentos e radiação, das quais aproximadamente 140 mil em Hiroshima e 73 mil em Nagasaki.

O que são os hibakusha?

Hibakusha é o termo japonês usado para designar os sobreviventes dos bombardeamentos atómicos de Hiroshima e Nagasaki, que sofreram efeitos imediatos e de longo prazo da explosão e da radiação.

Quantos hibakusha ainda estavam vivos em 2026?

Segundo dados oficiais japoneses, o número de sobreviventes registados desceu pela primeira vez abaixo das 100 mil pessoas em 2025, situando-se em cerca de 99.130, com idade média superior a 86 anos, número que continua a diminuir de ano para ano.

Que doenças afetaram os sobreviventes a longo prazo?

Os sobreviventes registaram um aumento significativo de casos de leucemia nos primeiros anos após os bombardeamentos, seguido de uma maior incidência de cancros sólidos, nomeadamente da tiroide, mama e pulmão, ao longo das décadas seguintes.

Que consequências políticas tiveram os bombardeamentos?

Levaram à rendição do Japão e ao fim da Segunda Guerra Mundial, e impulsionaram a adoção pelo Japão de uma política de não posse de armas nucleares, além de tornarem Hiroshima e Nagasaki símbolos internacionais do movimento pelo desarmamento nuclear.

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