História de Israel: das origens bíblicas ao Estado moderno
Israel é um dos povos e territórios com a história documentada mais longa do mundo, atravessando mais de três mil anos de civilizações, conquistas, diásporas e renascimentos. O território que hoje corresponde ao Estado de Israel — fundado em 1948 — foi palco de alguns dos acontecimentos mais marcantes da história da humanidade, da Idade do Bronze às guerras do século XXI. Este artigo traça, em passos essenciais, os grandes momentos dessa história.
As origens bíblicas e o período dos reinos (c. 2000–586 a.C.)
A tradição bíblica situa o início da presença hebraica nesta região com Abraão, patriarca do povo de Israel, por volta do segundo milénio a.C., quando terá migrado da Mesopotâmia para a terra de Canaã. Vários séculos mais tarde, por volta de 1000 a.C., o rei Davi unificou as tribos israelitas e estabeleceu Jerusalém como capital do reino. O seu filho, o rei Salomão, construiu o Primeiro Templo em Jerusalém cerca de 960 a.C., símbolo central da identidade religiosa judaica.
Em 931 a.C., o reino dividiu-se: o Reino de Israel a norte e o Reino de Judá a sul. O Reino de Israel foi destruído pelos Assírios por volta de 720 a.C. e a sua população deportada para a Mesopotâmia. Em 586 a.C., os Babilónios, sob Nabucodonosor II, conquistaram Jerusalém, destruíram o Templo e exilaram os judeus de Judá para a Babilónia — evento que ficou conhecido como o Exílio Babilónico.
Da Pérsia ao domínio romano (538 a.C.–135 d.C.)
Em 538 a.C., o rei Ciro da Pérsia permitiu o regresso dos exilados e a reconstrução do Templo em Jerusalém (o chamado Segundo Templo). A região passou depois pelo domínio helenístico de Alexandre Magno (332 a.C.) e dos seus sucessores, os Selêucidas. A revolta dos Macabeus, em 166 a.C., restaurou brevemente a independência judaica sob a dinastia Hasmoneana.
Em 63 a.C., o general romano Pompeio conquistou Jerusalém e integrou a região no Império Romano. Em 70 d.C., após uma grande revolta judaica, o general Tito destruiu o Segundo Templo — um trauma fundador do judaísmo rabínico. Em 135 d.C., após a revolta de Bar Kokhba, o imperador Adriano expulsou a maioria dos judeus da região e rebatizou-a como Syria Palaestina. Iniciava-se a longa diáspora — a dispersão do povo judeu pelo mundo.
Bizantinos, islão, Cruzados e Otomanos (IV–XX séc.)
Após o domínio romano, a região passou para o Império Bizantino cristão. Em 638 d.C., os exércitos do califado árabe conquistaram Jerusalém, inaugurando séculos de administração islâmica. Os Cruzados europeus tomaram a cidade em 1099 e fundaram o Reino de Jerusalém, mas foram expulsos por Saladino em 1187. No século XIII, a região ficou sob domínio Mameluco e, a partir de 1517, sob o Império Otomano, que governaria a Palestina durante quatro séculos.
Durante este longo período, uma pequena comunidade judaica permaneceu na região, sobretudo em cidades como Safed, Tiberíades, Hebron e Jerusalém. A presença árabe-muçulmana consolidou-se como a maioria demográfica da Palestina.
O Sionismo e o Mandato Britânico (1881–1947)
No final do século XIX, emergiu na Europa o movimento sionista, liderado por Theodor Herzl, com o objetivo de criar um lar nacional para o povo judeu na Palestina histórica, em resposta ao antissemitismo crescente. As primeiras vagas de imigração judaica (aliyot) chegaram a partir de 1881.
Após a Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano desmoronou-se e a Grã-Bretanha assumiu o controlo da Palestina sob mandato da Liga das Nações (1920). A Declaração Balfour (1917) havia já comprometido o governo britânico com o estabelecimento de um «lar nacional para o povo judeu» neste território, sem prejuízo dos direitos das comunidades não-judaicas. Esta promessa contraditória alimentou décadas de tensão entre a população árabe local e os colonos judeus.
O Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial, que resultou no assassínio de seis milhões de judeus, intensificou dramaticamente a pressão internacional para a criação de um Estado judeu. Em novembro de 1947, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou o Plano de Partição (Resolução 181), que dividia a Palestina num Estado judeu e num Estado árabe, com Jerusalém sob administração internacional. Os líderes judeus aceitaram o plano; os líderes árabes recusaram-no.
A fundação do Estado e as guerras árabe-israelitas (1948–1973)
A 14 de maio de 1948, David Ben-Gurion proclamou a independência do Estado de Israel. No dia seguinte, os exércitos do Egito, da Jordânia, da Síria, do Iraque e do Líbano invadiram o território. A Guerra da Independência (1948–1949) terminou com uma vitória israelita, mas com cerca de 700 000 palestinianos deslocados — acontecimento que os árabes designam como a Nakba («catástrofe»).
Israel combateu depois a Guerra do Suez (1956), a Guerra dos Seis Dias (1967) — em que ocupou a Cisjordânia, a Faixa de Gaza, o Sinai e as Colinas de Golã — e a Guerra do Yom Kippur (1973), quando o Egito e a Síria lançaram um ataque surpresa. Cada conflito redefiniu as fronteiras e aprofundou as tensões regionais.
Paz, Oslo e o conflito palestiniano (1978–2000)
Em 1979, Israel assinou o Tratado de Paz com o Egito, mediado pelos EUA, devolvendo o Sinai em troca do reconhecimento diplomático — o primeiro acordo de paz entre Israel e um Estado árabe. Em 1994, firmou um tratado semelhante com a Jordânia.
Em 1993, os Acordos de Oslo entre Israel e a Organização de Libertação da Palestina (OLP) criaram a Autoridade Palestiniana e abriram caminho para negociações sobre o estatuto final dos territórios ocupados. Contudo, as conversações de Camp David (2000) falharam, e a Segunda Intifada (2000–2005) mergulhou a região em violência. Israel construiu uma barreira de separação na Cisjordânia, alvo de crítica internacional, e retirou unilateralmente os colonos da Faixa de Gaza em 2005, que passou a ser controlada pelo movimento islamista Hamas a partir de 2007.
Israel no século XXI e o conflito de 2023–2026
Nas décadas seguintes, Israel conheceu ciclos de violência com o Hamas em Gaza (2008–2009, 2012, 2014, 2021) e com o Hezbollah no Líbano (2006). Internamente, a política israelita tornou-se progressivamente mais polarizada, com governos de direita e coligações frágeis a sucederem-se.
A 7 de outubro de 2023, o Hamas lançou um ataque de larga escala a partir de Gaza, matando cerca de 1 200 pessoas em Israel e raptando mais de 250 reféns — o ataque mais mortífero contra judeus desde o Holocausto. Israel respondeu com uma ofensiva militar de grande dimensão sobre a Faixa de Gaza, que se prolongou pelos anos seguintes e gerou uma crise humanitária grave, além de tensões regionais que envolveram o Hezbollah libanês e o Irão. Em 2024, Israel assassinou o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e desferiu ataques diretos contra o Irão, num escalamento sem precedentes desde a fundação do Estado. Em 2026, o conflito continuava a moldar a geopolítica do Médio Oriente.
Perguntas frequentes
Quando foi fundado o Estado de Israel?
O Estado de Israel foi fundado a 14 de maio de 1948, quando David Ben-Gurion proclamou a independência após a retirada do mandato britânico da Palestina.
O que foi a Declaração Balfour?
A Declaração Balfour foi uma carta do governo britânico, datada de novembro de 1917, que expressava apoio à criação de um «lar nacional para o povo judeu» na Palestina, sem prejudicar os direitos das comunidades não-judaicas então residentes.
O que é a Nakba?
Nakba é uma palavra árabe que significa «catástrofe» e designa o êxodo de cerca de 700 000 palestinianos árabes que fugiram ou foram expulsos durante a guerra de 1948, na sequência da criação do Estado de Israel.
Quais os países árabes que assinaram paz com Israel?
O Egito (1979) e a Jordânia (1994) assinaram tratados de paz formais com Israel. Os Acordos de Abraão (2020) normalizaram relações com os Emirados Árabes Unidos, o Barém, o Sudão e Marrocos.
O que aconteceu a 7 de outubro de 2023?
A 7 de outubro de 2023, o movimento Hamas lançou um ataque de grande escala contra Israel a partir da Faixa de Gaza, matando cerca de 1 200 pessoas e sequestrando mais de 250. Israel respondeu com uma ofensiva militar prolongada sobre Gaza, desencadeando um conflito com repercussões regionais que se estenderam até 2026.