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História do Uzbequistão: das origens à era moderna

Publicado 2. dezembro 2024 Atualizado 25. junho 2026

Qual é a história resumida do Uzbequistão?

O Uzbequistão é um dos países duplamente mediterrâneos do mundo — sem acesso ao mar e rodeado apenas por outros países sem litoral —, situado no coração da Ásia Central. A sua história é extraordinariamente rica: o território foi berço de civilizações milenares, eixo fundamental da Rota da Seda, capital de impérios que moldaram a Eurásia e, mais recentemente, república soviética e Estado independente. Samarcanda, Bukhara e Khiva figuram entre as cidades mais antigas e historicamente relevantes do continente asiático, e o seu legado continua a definir a identidade nacional uzbeque em 2026.

As civilizações antigas

O território que hoje constitui o Uzbequistão é habitado desde pelo menos o segundo milénio a.C. As primeiras culturas sedentárias estabeleceram-se nas férteis planícies irrigadas pelos rios Amu Dária e Sir Dária, dando origem a entidades políticas como a Sogdiana, a Báctria e a Corásmia. Estes reinos tornaram-se centros de comércio, agricultura e cultura, integrando progressivamente a esfera de influência do Império Aquemênida persa a partir do século VI a.C.

Em 327 a.C., Alexandre o Grande conquistou a Sogdiana e a Báctria após uma campanha militar difícil — a resistência local, liderada em parte pelo chefe Espitamenes, prolongou-se por vários anos. A helenização da região introduziu influências gregas na arte, arquitetura e governação, mas os elementos persas e locais predominaram culturalmente. Após a morte de Alexandre, o território passou para o controlo do Império Selêucida e, posteriormente, para o Reino Greco-Báctrio.

A Rota da Seda e o apogeu medieval

A partir do século II a.C., o território uzbeque adquiriu uma importância estratégica decisiva com o desenvolvimento da Rota da Seda, a rede de rotas comerciais de cerca de seis mil quilómetros que ligava a China ao Mediterrâneo. Cidades como Samarcanda e Bukhara tornaram-se nós vitais desta rede, onde caravanas transportavam seda, especiarias, metais preciosos, vidro, papel e porcelana, mas também ideias filosóficas, religiosas e científicas.

Os sogdianos foram os grandes intermediários deste comércio: mercadores e diplomatas habilíssimos, espalharam-se por toda a Ásia Central e chegaram ao interior da China, deixando registos escritos e comunidades mercantis ao longo de todo o percurso. A influência cultural sogdiana foi profunda e duradoura.

No século VII d.C., a conquista árabe trouxe o Islão à região, religião que se enraizou de forma permanente e que ainda hoje define a maioria da população uzbeque. Bukhara e Samarcanda tornaram-se centros do saber islâmico, produzindo figuras como o matemático Al-Khwarizmi (cujo nome deu origem ao termo "algoritmo") e o médico e filósofo Avicena (Ibn Sina), nascido perto de Bukhara no século X.

Os mongóis e o império de Tamerlão

Em 1220, Gengis Khan invadiu a Ásia Central com devastadora violência. Samarcanda, então uma das maiores cidades do mundo, foi saqueada e a sua população dizimada. A conquista mongol destruiu temporariamente muitas das estruturas urbanas e comerciais da região, embora o comércio na Rota da Seda tenha sido posteriormente relançado sob o Império Mongol (Pax Mongolica).

No século XIV, surgiu aquela que é talvez a figura mais marcante da história uzbeque: Timur, conhecido no Ocidente como Tamerlão. Nascido perto de Samarcanda por volta de 1336, Timur edificou um dos maiores impérios da história, estendendo o seu domínio desde a Anatólia e o Cáucaso até ao norte da Índia, passando pela Pérsia e pela Mesopotâmia. Escolheu Samarcanda como capital imperial e transformou-a numa metrópole de esplendor arquitectónico sem paralelo: o conjunto do Registan, o mausoléu Gur-e Amir e a necrópole Shah-i-Zinda datam desta época e são hoje Património Mundial da UNESCO.

Após a morte de Timur em 1405, o Império Timurid manteve-se por mais de um século sob os seus sucessores, continuando a ser um centro intelectual e artístico de primeira grandeza. No século XVI, os uzbeques nômadas — de quem o país toma o nome — invadiram e derrubaram a dinastia timurid, fundando os Canatos de Bukhara, Khiva e Kokand, que governaram a região de forma fragmentada durante os séculos seguintes.

A conquista russa e a era soviética

A partir da segunda metade do século XIX, o Império Russo expandiu-se sistematicamente para a Ásia Central. Os canatos de Tashkent (1865), Samarcanda (1868), Bukhara e Khiva foram sucessivamente submetidos ao controlo russo, que transformou a região numa fonte de matéria-prima — sobretudo algodão — para a indústria têxtil russa. Esta monocultura algodoeira, imposta pelos russos, teve consequências profundas no equilíbrio ecológico e económico da região.

Após a Revolução Bolchevique de 1917, a Ásia Central foi incorporada na União Soviética. Em 1924, foi criada a República Socialista Soviética Uzbeque, com Tashkent como capital. O regime soviético promoveu a industrialização, a alfabetização em massa e a emancipação formal da mulher, mas suprimiu a religião islâmica, coletivizou a agricultura e continuou a expansão da monocultura do algodão. A irrigação intensiva para sustentar esta produção foi a causa principal da catástrofe ecológica do Mar de Aral, que encolheu drasticamente ao longo do século XX.

A independência e a era Karimov

Com a dissolução da União Soviética, o Uzbequistão declarou independência a 31 de agosto de 1991. O poder foi assumido por Islam Karimov, antigo primeiro-secretário do Partido Comunista local, que governou o país de forma autoritária durante 25 anos. O seu regime manteve a estabilidade política e alcançou crescimento económico médio anual de cerca de 5%, mas foi amplamente criticado por violações dos direitos humanos, censura, repressão política e uso sistemático de trabalho forçado na colheita do algodão.

Karimov faleceu em setembro de 2016. A sua morte abriu um período de incerteza, mas também de expectativa de mudança.

A era Mirziyoyev e as reformas recentes

Em dezembro de 2016, Shavkat Mirziyoyev, ex-primeiro-ministro, foi eleito presidente. O novo líder inaugurou uma era de reformas que contrastou com o isolacionismo da era anterior: liberalização cambial, abertura ao investimento estrangeiro, libertação de presos políticos, encerramento da prisão de Jaslyk — infame pelo uso de tortura —, e esforços para erradicar o trabalho forçado na colheita do algodão.

Em 2023, Mirziyoyev promoveu uma reforma constitucional que introduziu novos direitos civis, incluindo o habeas corpus e garantias de proteção de dados pessoais, além de disposições para a economia de mercado. Foi reeleito em 2021 e em 2023 (após a alteração constitucional), permanecendo no poder em 2026. Os analistas dividem-se: alguns saúdam as reformas como transformações estruturais genuínas; outros apontam que o sistema político continua essencialmente autoritário e que muitas das mudanças são mais simbólicas do que substantivas.

Em 2026, o Uzbequistão é um Estado em transformação, com uma economia em crescimento, uma população jovem e dinâmica, e um patrimônio histórico que atrai números crescentes de visitantes internacionais às suas cidades milenares.

Perguntas frequentes

Quando é que o Uzbequistão se tornou independente?

O Uzbequistão declarou independência da União Soviética a 31 de agosto de 1991, após o colapso da URSS.

Qual foi o papel do Uzbequistão na Rota da Seda?

O território uzbeque foi um dos eixos centrais da Rota da Seda, com cidades como Samarcanda e Bukhara a funcionarem como grandes pontos de trânsito e centros culturais entre a China e o Mediterrâneo, entre o século II a.C. e o século XV d.C.

Quem foi Tamerlão e qual a sua relação com o Uzbequistão?

Tamerlão (Timur) foi um conquistador turco-mongol nascido perto de Samarcanda no século XIV que fundou um dos maiores impérios da história. Elegeu Samarcanda como capital e transformou-a num esplendoroso centro artístico e arquitectónico, cujos monumentos são hoje Património Mundial da UNESCO.

O que é o Mar de Aral e porque razão encolheu?

O Mar de Aral foi um dos maiores lagos do mundo, localizado na fronteira entre o Uzbequistão e o Cazaquistão. Encolheu drasticamente ao longo do século XX devido à política soviética de irrigação intensiva para sustentar a monocultura do algodão, constituindo uma das maiores catástrofes ecológicas da história moderna.

Quem governa o Uzbequistão em 2026?

Em 2026, o Uzbequistão é governado pelo presidente Shavkat Mirziyoyev, no poder desde 2016, após a morte de Islam Karimov, que havia governado o país de forma autoritária desde a independência em 1991.

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