Nome científico do gato doméstico: Felis catus
O nome científico do gato doméstico é Felis catus, denominação proposta pelo naturalista sueco Carl Linnaeus em 1758, na obra fundadora da taxonomia moderna, Systema Naturae. Trata-se de um mamífero carnívoro pertencente à família Felidae, reconhecido como um dos animais de companhia mais comuns do planeta, com estimativas globais a apontarem para mais de 600 milhões de indivíduos distribuídos por todos os continentes habitados.
Classificação taxonómica completa
Na sistemática biológica, Felis catus integra a seguinte hierarquia taxonómica:
- Reino: Animalia
- Filo: Chordata
- Classe: Mammalia
- Ordem: Carnivora
- Família: Felidae
- Género: Felis
- Espécie: Felis catus Linnaeus, 1758
O género Felis agrupa vários pequenos felinos do Velho Mundo, incluindo o gato-bravo europeu (Felis silvestris), o gato-selvagem-africano (Felis lybica) e o gato-do-deserto (Felis margarita). O epíteto específico catus deriva do latim e designa simplesmente o "gato". Nas bases de dados taxonómicas de referência, a espécie está registada no ITIS (Integrated Taxonomic Information System) com o número de série 183798 e no NCBI Taxonomy com o identificador 9685.
O nome de Linnaeus e o debate nomenclatural
A atribuição do nome científico ao gato doméstico nem sempre foi consensual. Durante décadas, coexistiu com a designação Felis silvestris catus, que tratava o animal doméstico como subespécie do gato-bravo (Felis silvestris). Em 2003, a Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN) pronunciou-se sobre esta questão, conservando Felis silvestris para o gato selvagem sem suprimir Felis catus para a forma doméstica.
O debate prolongou-se até 2017, quando o Cat Classification Taskforce da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) reconheceu formalmente Felis catus como espécie distinta, separada do ancestral selvagem. Esta posição é a mais adotada atualmente nas publicações científicas e nas grandes bases de dados taxonómicas internacionais.
A origem selvagem: Felis lybica
Os estudos genéticos demonstram que o gato doméstico descende exclusivamente do gato-selvagem-africano, Felis lybica (anteriormente classificado como subespécie Felis silvestris lybica), nativo do Norte de África e do Próximo Oriente. Análises de DNA mitocondrial confirmaram que todas as linhagens do gato doméstico moderno convergem para esta espécie, excluindo outros gatos-bravos europeus ou asiáticos como ancestrais diretos.
A estreita semelhança morfológica entre Felis catus e Felis lybica — comparada à maior divergência relativamente ao gato-bravo europeu — reforça esta conclusão. As duas espécies são interférteis e produzem descendência viável, o que constitui, como se verá adiante, um desafio para a conservação do gato-bravo selvagem em Portugal.
Da domesticação à espécie atual
A domesticação do gato terá ocorrido há cerca de nove mil anos no Crescente Fértil, região que corresponde ao atual Médio Oriente. O processo foi, provavelmente, de carácter comensalista: as primeiras comunidades agrícolas neolíticas acumulavam reservas de cereais que atraíam roedores e, ao caçar essas presas junto dos aglomerados humanos, os gatos selvagens foram gradualmente tolerados e integrados nos espaços domésticos.
Um estudo genómico publicado em finais de 2025 veio propor uma revisão da linha cronológica convencional, identificando duas fases distintas de domesticação: a primeira ligada às primeiras aldeias agrícolas do Neolítico, e a segunda associada à civilização egípcia clássica, a partir de aproximadamente quatro mil anos antes do presente. Esta segunda vaga terá disseminado traços comportamentais mais dóceis e padrões de pelagem variados, incluindo o tabby, que se tornou o mais comum no gato moderno.
Do ponto de vista evolutivo, Felis catus conserva muitas características do seu ancestral selvagem: é um predador solitário, crepuscular e noturno por natureza, com instintos de caça preservados mesmo em indivíduos criados exclusivamente em ambiente doméstico. A estrutura craniana, a dentição e o sistema musculoesquelético são praticamente idênticos aos de Felis lybica.
Felis catus em Portugal e a ameaça ao gato-bravo
Em Portugal, Felis catus está presente em todo o território continental, com elevada densidade nas áreas urbanas e periurbanas. A proliferação de gatos assilvestrados — animais domésticos abandonados que passam a viver em estado semi-selvagem — representa uma ameaça significativa para o gato-bravo (Felis silvestris), classificado como "Em Perigo" pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
A hibridação entre Felis catus e Felis silvestris produz descendência fértil, comprometendo a integridade genética do gato-bravo. Estimativas recentes apontam para uma taxa de hibridação de 21 % nas populações portuguesas de gato-bravo, tornando a gestão das colónias de gatos assilvestrados uma prioridade nas estratégias nacionais de conservação desta espécie ameaçada.
Perguntas frequentes
Qual é o nome científico do gato doméstico?
O nome científico do gato doméstico é Felis catus, proposto por Carl Linnaeus em 1758 na obra Systema Naturae.
Felis catus e Felis silvestris catus são a mesma coisa?
Trata-se de nomenclaturas alternativas para o mesmo animal. Historicamente, o gato doméstico foi classificado como subespécie do gato-bravo (Felis silvestris catus), mas desde 2017 o Cat Classification Taskforce da UICN reconhece Felis catus como espécie distinta, sendo esta a designação prevalecente na literatura científica atual.
De que espécie selvagem descende o gato doméstico?
O gato doméstico descende do gato-selvagem-africano, Felis lybica, originário do Norte de África e do Próximo Oriente. Esta origem foi confirmada por estudos de DNA mitocondrial que analisaram linhagens de gatos domésticos de todo o mundo.
Há quanto tempo foi domesticado o gato?
Estima-se que a domesticação do gato teve início há cerca de nove mil anos, no Crescente Fértil, associada às primeiras comunidades agrícolas do Neolítico. Estudos genómicos recentes identificam ainda uma segunda fase de domesticação ligada à civilização egípcia clássica.
O gato doméstico pode cruzar com o gato-bravo?
Sim. Felis catus e Felis silvestris são interférteis e produzem descendência viável. Em Portugal, a taxa de hibridação já atingiu os 21 %, o que constitui uma séria ameaça à conservação genética do gato-bravo, espécie classificada como "Em Perigo".