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Qual é a ave com maior envergadura do mundo?

Publicado 23. junho 2025 Atualizado 1. julho 2026

A ave viva com maior envergadura do mundo é o albatroz-errante (Diomedea exulans), uma espécie de albatroz que habita as águas frias do oceano Austral e que pode atingir mais de 3,5 metros de ponta a ponta das asas. Nenhuma outra ave voadora atualmente existente se aproxima destas dimensões, o que torna o albatroz-errante uma referência incontornável sempre que se fala em recordes do mundo animal.

O recorde oficial de envergadura

De acordo com o Guinness World Records, o exemplar com a maior envergadura alguma vez registada em ciência foi um albatroz-errante macho capturado pela tripulação do navio de investigação antártico USNS Eltanin, no mar da Tasmânia, a 18 de setembro de 1965. As suas asas mediam 3,63 metros de ponta a ponta. Este continua a ser o valor de referência citado por especialistas e por obras de divulgação científica.

Na população em geral, a envergadura média do albatroz-errante situa-se entre os 3 e os 3,5 metros, variando ligeiramente entre machos e fêmeas, sendo os machos habitualmente um pouco maiores. Mesmo o exemplar "médio" desta espécie já ultrapassa facilmente a envergadura de qualquer outra ave viva.

Porque tem o albatroz-errante asas tão grandes

A envergadura extraordinária do albatroz-errante não é um acidente evolutivo, mas sim uma adaptação muito específica a um modo de voo chamado voo dinâmico (dynamic soaring). Esta técnica permite à ave aproveitar as diferenças de velocidade do vento a diferentes altitudes sobre a superfície do mar, ganhando energia sem bater as asas. Graças a este mecanismo, um albatroz-errante consegue percorrer milhares de quilómetros, por vezes semanas seguidas, quase sem gastar energia muscular em voo batido.

Asas compridas e estreitas, como as desta espécie, são particularmente eficientes neste tipo de planeio, à semelhança do que acontece com um planador de grande envergadura. Em contrapartida, tornam a descolagem a partir de terra firme ou de água parada mais difícil, razão pela qual o albatroz-errante costuma precisar de vento forte ou de uma "pista" de descolagem, seja uma vaga, seja uma pequena corrida sobre o solo.

Como se compara a outras aves de grande porte

Embora o albatroz-errante lidere a tabela das aves vivas, outras espécies também têm envergaduras impressionantes:

  • Condor-dos-Andes (Vultur gryphus): até cerca de 3,3 metros, sendo a ave de rapina com maior envergadura do mundo.
  • Pelicano-crespo (Pelecanus crispus): pode chegar a cerca de 3,4 metros, sendo por vezes apontado como um possível concorrente ao segundo lugar.
  • Pelicano-vulgar ou pelicano-branco (Pelecanus onocrotalus): valores próximos de 3,6 metros são por vezes citados, embora estas medições sejam menos consistentes e raramente confirmadas em condições controladas.

Na prática, mesmo considerando estas espécies alternativas, o albatroz-errante mantém-se como a referência mais consistentemente documentada e aceite pela comunidade científica e por instituições como o Guinness World Records.

E as aves que já se extinguiram?

Se o critério incluir aves que já não existem, o quadro muda radicalmente. O registo fóssil indica que algumas aves pré-históricas tinham envergaduras muito superiores às de qualquer espécie atual. É o caso de Pelagornis sandersi, uma ave marinha extinta há milhões de anos, cuja envergadura estimada a partir de fósseis ronda os 6 a 7 metros, mais do dobro da do albatroz-errante. Outro exemplo é Argentavis magnificens, uma ave de rapina sul-americana também extinta, com estimativas de envergadura na ordem dos 6 a 7 metros.

Estas estimativas baseiam-se em reconstruções a partir de ossos fossilizados e têm alguma margem de incerteza, mas são suficientemente robustas para se afirmar, com segurança, que as maiores envergaduras da história das aves pertenceram a espécies hoje extintas. Ainda assim, quando a pergunta se refere a aves vivas atualmente, a resposta permanece inequivocamente o albatroz-errante.

Onde vive e qual o seu estado de conservação

O albatroz-errante distribui-se por várias ilhas subantárticas, incluindo a Geórgia do Sul, as ilhas Crozet, Kerguelen e Marion, onde nidifica em colónias. Passa a maior parte da vida sobre o mar aberto, deslocando-se por vastas áreas do oceano Austral em busca de alimento, sobretudo lulas e peixes capturados à superfície.

A espécie está classificada como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A principal ameaça é a captura acidental em artes de pesca de longa linha, em que as aves ficam presas aos anzóis ao tentarem alimentar-se da isca. A degradação de habitats de nidificação e a introdução de predadores nas ilhas onde se reproduz também contribuem para o declínio de algumas populações.

Perguntas frequentes

Qual é a maior envergadura já registada numa ave viva?

É de 3,63 metros, medida num albatroz-errante macho capturado no mar da Tasmânia em 1965, valor reconhecido pelo Guinness World Records.

O albatroz-errante é também a ave mais pesada do mundo?

Não. O albatroz-errante pode pesar entre 6 e 12 quilogramas, mas título de ave voadora mais pesada é normalmente atribuído à abetarda-kori, embora dependa de como se mede o peso máximo registado em cada espécie.

Existiu alguma ave com envergadura maior do que a do albatroz-errante?

Sim, mas apenas espécies já extintas. Fósseis de aves como Pelagornis sandersi e Argentavis magnificens sugerem envergaduras estimadas entre 6 e 7 metros, muito superiores às de qualquer ave viva atualmente.

Porque consegue o albatroz-errante voar tanto tempo sem bater as asas?

Graças a uma técnica chamada voo dinâmico, que aproveita as variações de velocidade do vento perto da superfície do mar para gerar sustentação, permitindo planar durante horas ou dias com um gasto energético mínimo.

O albatroz-errante está em risco de extinção?

É classificado como vulnerável pela IUCN, sobretudo devido à captura acidental em pescarias de longa linha e a ameaças nas colónias de nidificação em ilhas subantárticas.

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