LDH: valores normais e o que significam para a sua saúde
A lactato desidrogenase, abreviada como LDH, é uma enzima presente em quase todos os tecidos do organismo humano — coração, fígado, rins, músculos, pulmões, células sanguíneas e cérebro. O seu papel fundamental é participar no metabolismo energético das células, convertendo lactato em piruvato como parte do processo de produção de energia. Porque se encontra dentro das células, o seu aparecimento em concentrações elevadas no sangue funciona como um sinal de alerta: indica que algum tecido sofreu dano ou que as células estão a morrer de forma anormal. A análise ao LDH sérico é, por isso, um marcador inespecífico mas clinicamente muito útil, solicitado num vasto leque de situações — desde a monitorização de certas neoplasias até ao diagnóstico de anemias hemolíticas.
Quais são os valores normais de LDH
Os valores de referência para a LDH no sangue variam ligeiramente conforme o laboratório e a metodologia utilizada, mas os intervalos mais amplamente aceites na prática clínica situam-se entre 140 e 280 U/L (unidades por litro) para adultos. Alguns laboratórios expressam o resultado em UI/L (unidades internacionais por litro), com uma referência habitual de 125 a 220 UI/L. Na prática, as duas unidades são equivalentes.
A faixa de referência varia ainda com a idade:
- Recém-nascidos e bebés: 160 a 450 U/L — valores naturalmente mais elevados devido ao crescimento celular acelerado.
- Crianças dos 1 aos 15 anos: 143 a 370 U/L.
- Adultos (a partir dos 16 anos): 105 a 233 U/L, segundo alguns laboratórios; outros adotam 140-280 U/L como referência.
É essencial interpretar sempre o resultado à luz do intervalo de referência indicado pelo próprio laboratório no relatório da análise, uma vez que os valores podem diferir consoante o equipamento e os reagentes utilizados.
LDH elevada: o que pode significar
Um valor de LDH acima do limite superior do intervalo de referência não aponta diretamente para um diagnóstico específico — indica apenas que algum tecido pode estar lesado. Cabe ao médico correlacionar esse valor com os sintomas, o historial clínico e outros exames laboratoriais para chegar a uma conclusão.
As causas mais frequentes de LDH elevada incluem:
- Doenças oncológicas: linfomas, leucemias e tumores de células germinativas são as patologias em que a LDH tem maior relevância como marcador de progressão ou resposta ao tratamento. Valores muito elevados (acima de 1000 UI/L) estão associados a pior prognóstico em vários tipos de cancro.
- Anemias hemolíticas: quando os glóbulos vermelhos se destroem prematuramente (por exemplo, na drepanocitose ou na anemia falciforme), a LDH libertada pelas hemácias sobe de forma significativa.
- Doenças hepáticas: hepatites virais, esteatose hepática grave ou cirrose podem elevar a LDH, especialmente a isoenzima LDH-5.
- Doenças cardíacas: embora os marcadores de eleição para o enfarte do miocárdio sejam hoje a troponina e a CK-MB, a LDH — em particular a LDH-1 — sobe nas horas seguintes a um enfarte e mantém-se elevada durante vários dias.
- Doenças pulmonares: pneumonia grave, embolia pulmonar ou pneumonia intersticial podem cursar com aumento da LDH.
- Lesão muscular: exercício físico intenso, rabdomiólise ou miosite elevam a LDH de origem muscular (LDH-5).
- Infeções graves: durante a pandemia de COVID-19 ficou bem estabelecido que a LDH sérica elevada é um preditor independente de gravidade e de necessidade de cuidados intensivos.
LDH baixa: quando acontece e que significado tem
Valores de LDH abaixo do limite inferior do intervalo de referência são pouco frequentes e, na maioria dos casos, sem relevância clínica. Podem ser observados em situações de desnutrição grave, deficiência de vitamina C ou, muito raramente, em doenças genéticas hereditárias que afetam a produção da enzima. Em geral, uma LDH baixa não requer investigação específica, mas o médico deve contextualizá-la no quadro clínico global do doente.
As cinco isoenzimas da LDH
A LDH não é uma enzima única mas sim um conjunto de cinco formas moleculares denominadas isoenzimas, cada uma predominante num tecido diferente. A sua distinção em laboratório — a chamada eletroforese das isoenzimas da LDH — permite orientar melhor o diagnóstico:
- LDH-1: predominante no coração, nos eritrócitos (glóbulos vermelhos) e nos rins. A sua elevação seletiva sugere lesão cardíaca ou hemólise.
- LDH-2: presente no sistema reticuloendotelial, coração e rins. Habitualmente é a isoenzima com concentração mais elevada no sangue de indivíduos saudáveis.
- LDH-3: associada principalmente ao pulmão e a plaquetas.
- LDH-4: encontra-se no rim, pâncreas, placenta e leucócitos.
- LDH-5: predominante no fígado e nos músculos esqueléticos. A sua elevação aponta para doença hepática ou rabdomiólise.
Na prática clínica atual, a análise das isoenzimas é pedida com menos frequência do que antigamente, tendo sido parcialmente substituída por marcadores mais específicos como a troponina (para o coração) ou as transaminases TGO e TGP (para o fígado). Ainda assim, mantém utilidade em situações diagnósticas complexas.
Como é realizado o teste de LDH
O doseamento da LDH é feito a partir de uma colheita de sangue venoso, habitualmente em jejum de quatro a oito horas (embora algumas fontes aceitem a colheita sem jejum, convém confirmar com o laboratório). O resultado normalmente fica disponível no próprio dia ou no dia seguinte. É importante informar o médico sobre a toma de medicamentos, suplementos ou atividade física intensa recente, uma vez que o exercício vigoroso nas 24 horas anteriores à colheita pode elevar transitoriamente os valores de LDH.
Como interpretar o resultado no contexto clínico
Um resultado isolado de LDH raramente permite um diagnóstico definitivo. O médico interpreta-o sempre em conjunto com outros parâmetros laboratoriais: CK (creatina quinase) para lesão muscular, TGO/TGP para o fígado, troponina para o coração, bilirrubina e haptoglobina para hemólise, ou com marcadores tumorais específicos em contexto oncológico. A LDH funciona, portanto, como um marcador de vigilância e de triagem — um sinal de que algo pode estar errado, não um diagnóstico em si mesmo.
Perguntas frequentes
Qual é o valor ideal de LDH no sangue para um adulto saudável?
Para um adulto saudável, o valor de LDH no sangue deve situar-se entre 140 e 280 U/L, embora o intervalo de referência possa variar ligeiramente entre laboratórios. O resultado deve ser sempre comparado com os valores de referência indicados pelo laboratório que realizou a análise.
O que significa ter a LDH alta numa análise ao sangue?
Uma LDH elevada indica que algum tecido do organismo pode estar lesado, mas não identifica por si só qual. As causas mais comuns incluem doenças oncológicas, anemias hemolíticas, doenças hepáticas, lesão cardíaca e doenças musculares. O médico correlaciona o valor com outros exames e com a situação clínica para chegar a um diagnóstico.
A LDH sobe com o exercício físico?
Sim. O exercício físico intenso pode elevar transitoriamente os valores de LDH devido à lesão muscular fisiológica associada ao esforço. Para uma análise mais fiável, recomenda-se evitar exercício vigoroso nas 24 a 48 horas anteriores à colheita de sangue.
A LDH é um marcador de cancro?
A LDH é utilizada como marcador de monitorização em alguns tipos de cancro, em particular linfomas, leucemias e tumores de células germinativas. Não é específica de cancro — pode estar elevada noutras patologias —, mas valores muito altos associam-se frequentemente a doença oncológica ativa ou avançada e têm valor prognóstico.
É possível reduzir a LDH com alimentação ou suplementos?
Não existe evidência científica robusta de que dietas ou suplementos específicos baixem diretamente os valores de LDH. O tratamento eficaz da LDH elevada passa pelo diagnóstico e controlo da causa subjacente. Uma alimentação equilibrada e a prática moderada de exercício físico contribuem para a saúde geral, mas não substituem a abordagem médica de uma LDH persistentemente alterada.