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Que tribo germânica invadiu Roma em 410 d.C.?

Publicado 28. abril 2025 Atualizado 26. junho 2026

Qual tribo germânica invadiu Roma em 410 d.C.?

A tribo germânica que saqueou Roma em 410 d.C. foi a dos visigodos (godos do Ocidente), comandados pelo seu rei Alarico I. A 24 de agosto desse ano, as tropas visigóticas entraram na cidade pela Porta Salária e pilharam-na durante três dias, num episódio conhecido como o Saque de Roma de 410. Foi a primeira vez em quase oito séculos que a capital do Império caiu nas mãos de um inimigo estrangeiro, um choque profundo para os contemporâneos e um marco simbólico no longo declínio do Império Romano do Ocidente.

Quem eram os visigodos

Os visigodos eram um dos ramos do povo godo, de origem germânica. Segundo a tradição, os godos teriam vindo do norte da Europa, da região báltica e escandinava, deslocando-se ao longo dos séculos para sul e leste. Acabaram por se dividir em dois grandes grupos: os visigodos (godos do Ocidente) e os ostrogodos (godos do Oriente). Pressionados pelo avanço dos hunos a partir das estepes asiáticas no final do século IV, os visigodos atravessaram o rio Danúbio e instalaram-se em território romano, dentro das fronteiras do Império.

Esta entrada não foi inicialmente uma invasão hostil. Os visigodos foram acolhidos como foederati (povos aliados), com a obrigação de prestar serviço militar em troca de terras e abastecimento. A relação, porém, deteriorou-se rapidamente devido à fome, aos maus-tratos das autoridades romanas e ao incumprimento dos pagamentos prometidos, o que culminou na desastrosa derrota romana na Batalha de Adrianópolis, em 378, onde morreu o imperador Valente.

Quem foi Alarico I

Alarico I (c. 370–410) foi o líder que unificou os visigodos e os conduziu até Roma. Tinha servido nas fileiras do exército romano e conhecia bem a máquina militar do Império. Frustrado pela recusa de Roma em conceder aos seus o estatuto, as terras e os pagamentos reclamados, transformou-se de aliado em adversário. Ao longo de mais de uma década, Alarico pressionou repetidamente as autoridades imperiais, alternando negociações e ameaças militares.

O imperador do Ocidente nesta época era Honório, instalado na cidade fortificada de Ravena e largamente incapaz de responder com eficácia. O desentendimento entre Alarico e a corte imperial — agravado pela execução do poderoso general Estilicão, em 408 — empurrou o rei visigodo para a ação direta sobre a própria cidade de Roma.

O cerco e o saque de Roma

Antes de 410, Alarico cercou Roma mais do que uma vez para forçar concessões. As negociações sucessivas com a corte de Honório fracassaram, e, perante a recusa imperial em cumprir os acordos, os visigodos optaram pelo assalto final. A 24 de agosto de 410, entraram na cidade pela Porta Salária. As fontes divergem sobre como o conseguiram: umas falam de traição e de portas abertas por dentro, outras da exaustão e da fome dos sitiados.

O saque prolongou-se por três dias, de 24 a 27 de agosto. Os visigodos pilharam o tesouro, os palácios imperiais e vários monumentos, incluindo os mausoléus de Augusto e de Adriano, onde repousavam imperadores do passado. Levaram consigo grandes riquezas e uma refém de prestígio: Gala Placídia, irmã do imperador Honório.

Apesar da violência inerente a qualquer saque, vários relatos sublinham a relativa moderação do episódio. Alarico e a maioria dos seus guerreiros eram cristãos (de confissão ariana), e as igrejas — sobretudo as basílicas de São Pedro e de São Paulo — foram poupadas e usadas como locais de refúgio. A destruição concentrou-se em edifícios públicos e na pilhagem de bens, e boa parte da população foi deixada incólume.

Consequências e significado histórico

O impacto do saque foi sobretudo psicológico e simbólico. Roma já não era a capital administrativa do Império — esse papel cabia a Ravena —, mas continuava a ser o coração espiritual e identitário do mundo romano. A sua queda perante um povo germânico abalou a confiança numa ordem que parecia eterna. O episódio inspirou Santo Agostinho a escrever A Cidade de Deus, em resposta aos que culpavam o cristianismo pela desgraça, e marcou São Jerónimo, que lamentou amargamente a notícia.

O próprio Alarico não sobreviveu muito ao seu feito: morreu de doença ainda em 410, no sul de Itália, perto de Consência (atual Cosenza). Conta a lenda que foi sepultado no leito desviado do rio Busento, com os seus tesouros. Os visigodos, sob o seu sucessor Ataúlfo, acabariam por sair de Itália e fixar-se na Gália e na Hispânia, fundando um reino que teve grande importância na história da Península Ibérica.

O Saque de 410 é geralmente apontado como um dos grandes marcos no caminho para a queda do Império Romano do Ocidente, que viria a desaparecer formalmente em 476. Não foi a causa direta dessa queda, mas tornou-se o seu símbolo mais memorável: o momento em que a "cidade eterna" mostrou ser, afinal, vulnerável.

Não confundir com outros saques de Roma

Importa distinguir este acontecimento de outras ocasiões em que Roma foi atacada. Em 455, a cidade foi saqueada pelos vândalos, liderados por Genserico, num episódio mais destrutivo. Já em 410, foram os visigodos de Alarico os protagonistas. Embora ambos os povos fossem germânicos e ambos os eventos integrem o quadro das chamadas invasões bárbaras, tratam-se de tribos e datas diferentes.

Perguntas frequentes

Que tribo invadiu Roma em 410 d.C.?

Foram os visigodos (godos do Ocidente), um povo germânico liderado pelo rei Alarico I, que entraram em Roma a 24 de agosto de 410 e a saquearam durante três dias.

Quem liderou o saque de Roma de 410?

O líder foi Alarico I, rei dos visigodos, antigo militar ao serviço de Roma que se voltou contra o Império após o fracasso das negociações com o imperador Honório.

Quanto tempo durou o saque de Roma?

O saque prolongou-se por três dias, de 24 a 27 de agosto de 410, e atingiu sobretudo tesouros, palácios e monumentos públicos, poupando as principais igrejas.

O saque de 410 causou a queda do Império Romano?

Não diretamente. O Império Romano do Ocidente só desapareceu em 476. Contudo, o saque de 410 é visto como um marco simbólico decisivo nesse declínio.

Foram os visigodos ou os vândalos que saquearam Roma?

Ambos saquearam Roma, mas em momentos distintos: os visigodos de Alarico em 410 e os vândalos de Genserico em 455.

Fontes: Wikipédia — Saque de Roma (410), Infopédia — Saque de Roma, Britannica — Sack of Rome (410 CE), Wikipedia — Sack of Rome (410).

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