Quem escreveu As Crónicas de Nárnia? C. S. Lewis
As Crónicas de Nárnia foram escritas por C. S. Lewis, escritor e académico britânico nascido em Belfast, na Irlanda do Norte. Clive Staples Lewis (1898-1963) publicou os sete romances que compõem a série entre 1950 e 1956, criando uma das obras de fantasia infantojuvenil mais lidas do século XX. Professor universitário em Oxford e Cambridge, crítico literário respeitado e autor cristão influente, Lewis combinou erudição, mitologia e alegoria religiosa numa saga que continua a vender milhões de exemplares e que regressa à atualidade em 2026 com uma nova adaptação cinematográfica dirigida por Greta Gerwig.
Quem foi C. S. Lewis
Clive Staples Lewis nasceu a 29 de novembro de 1898 em Belfast. Conhecido pelos próximos como "Jack", perdeu a mãe ainda criança e foi educado em internatos ingleses antes de servir no exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial, onde foi ferido em combate. Concluídos os estudos, tornou-se docente de Língua e Literatura Inglesas no Magdalen College, em Oxford, cargo que ocupou durante quase três décadas. Em 1954 transitou para a Universidade de Cambridge, onde ocupou uma cátedra dedicada à literatura medieval e renascentista.
Para além das histórias para crianças, Lewis foi um dos mais notáveis ensaístas e apologistas cristãos do seu tempo. Obras como Cristianismo Puro e Simples, As Cartas de Escrutopo ou A Abolição do Homem consolidaram-no como pensador influente. Faleceu a 22 de novembro de 1963, no mesmo dia em que morreu o presidente norte-americano John F. Kennedy, o que fez com que o seu desaparecimento passasse relativamente despercebido na imprensa internacional.
Como nasceram As Crónicas de Nárnia
Lewis afirmou que a série começou com uma imagem mental que o acompanhava desde os dezasseis anos: a de um fauno a transportar embrulhos e um guarda-chuva por uma floresta coberta de neve. Foi a partir dessa imagem que escreveu O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, publicado em 1950 com ilustrações de Pauline Baynes, a artista que desenharia todos os volumes da série.
A escrita de Nárnia esteve ligada ao círculo literário dos Inklings, um grupo informal de Oxford que reunia Lewis, J. R. R. Tolkien — autor de O Senhor dos Anéis e amigo próximo — e outros escritores. Foi em parte através de Tolkien que Lewis, anteriormente ateu, regressou ao cristianismo, conversão que marcaria profundamente o universo narniano.
Os sete livros e a ordem de leitura
A série é composta por sete romances. A ordem de publicação original, geralmente recomendada pelos estudiosos por preservar o impacto narrativo do primeiro volume, é a seguinte:
- O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (1950)
- O Príncipe Caspian (1951)
- A Viagem do Caminheiro da Alvorada (1952)
- A Cadeira de Prata (1953)
- O Cavalo e o seu Rapaz (1954)
- O Sobrinho do Mágico (1955)
- A Última Batalha (1956)
Existe ainda a ordem cronológica, que segue a linha temporal interna da história e começa por O Sobrinho do Mágico, que narra a criação de Nárnia, seguindo depois para O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. O próprio Lewis chegou a sugerir, numa carta a um jovem leitor, que a ordem cronológica poderia ser preferível, mas o tema continua a gerar debate entre admiradores e académicos. A Última Batalha venceu em 1956 a Medalha Carnegie, a mais prestigiada distinção britânica de literatura infantil.
Temas e significado da obra
Embora possa ser lida como pura aventura, a série está impregnada de simbolismo cristão. A figura central de Aslan, o leão criador de Nárnia que se sacrifica e ressuscita, é amplamente interpretada como uma representação de Cristo, ainda que Lewis preferisse descrever a obra como uma "suposição" imaginativa e não como uma alegoria rígida. A par desta dimensão espiritual, os romances tecem influências da mitologia greco-romana, das lendas nórdicas e dos contos de fadas europeus, povoando o mundo com faunos, centauros, gigantes e animais falantes.
O legado de Nárnia e as adaptações
Traduzida em dezenas de línguas e com vendas estimadas em mais de uma centena de milhões de exemplares, a série conheceu várias adaptações ao longo das décadas, incluindo produções da BBC nos anos 1980 e a trilogia cinematográfica iniciada em 2005 com O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa.
Em 2026, Nárnia volta a estar em destaque graças a uma nova adaptação da Netflix realizada e escrita por Greta Gerwig, cineasta conhecida por Lady Bird e Barbie. O projeto arranca, ao contrário das versões anteriores, por O Sobrinho do Mágico, sendo a primeira adaptação alguma vez feita deste volume. Após um atraso na produção devido à lesão de um membro do elenco, a estreia foi reagendada: o filme chegará às salas de cinema, com exibição em IMAX, a 12 de fevereiro de 2027, antes de ficar disponível na plataforma da Netflix a 2 de abril de 2027. O elenco anunciado inclui nomes como Meryl Streep, Daniel Craig, Emma Mackey e Carey Mulligan, ao lado de jovens intérpretes nos papéis principais.
Perguntas frequentes
Quem escreveu As Crónicas de Nárnia?
O autor é C. S. Lewis (Clive Staples Lewis), escritor e académico britânico nascido em Belfast em 1898 e falecido em 1963. Publicou os sete livros da série entre 1950 e 1956.
Quantos livros tem a série?
A série é composta por sete romances, desde O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (1950) até A Última Batalha (1956).
Por que livro se deve começar a ler?
Há duas ordens possíveis: a de publicação, que começa por O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa e é a preferida por muitos estudiosos, e a cronológica, que começa por O Sobrinho do Mágico. Ambas são válidas e a escolha depende da preferência do leitor.
Há uma nova adaptação de Nárnia?
Sim. A Netflix prepara uma adaptação realizada por Greta Gerwig, baseada em O Sobrinho do Mágico, com estreia nos cinemas a 12 de fevereiro de 2027 e na plataforma a 2 de abril de 2027.