Quem escreveu Robinson Crusoé: Daniel Defoe e a sua história
O clássico Robinson Crusoé foi escrito pelo escritor inglês Daniel Defoe (1660-1731) e publicado pela primeira vez em 25 de abril de 1719, em Londres. A obra, considerada por muitos críticos como o primeiro romance moderno em língua inglesa, narra a história de um náufrago que sobrevive sozinho durante anos numa ilha deserta, e continua a ser uma das narrativas mais lidas e adaptadas da literatura ocidental, mais de três séculos depois da sua publicação.
Quem foi Daniel Defoe
Daniel Defoe nasceu em Londres por volta de 1660, numa família de comerciantes protestantes dissidentes, e teve uma vida marcada por múltiplas atividades: foi comerciante, jornalista, panfletista político e espião ao serviço da coroa inglesa, antes de se dedicar à escrita de ficção já numa idade avançada para os padrões da época. Tinha quase 60 anos quando publicou Robinson Crusoé, depois de uma carreira atribulada que incluiu falências, dívidas e até uma passagem pela prisão por motivos políticos. Essa experiência de vida diversificada, aliada ao seu trabalho como jornalista habituado a escrever relatos verosímeis, ajuda a explicar o realismo minucioso com que construiu a narrativa do náufrago.
Como surgiu a ideia de Robinson Crusoé
A obra é geralmente associada à história real do marinheiro escocês Alexander Selkirk, que em 1704, após uma desavença com o capitão do seu navio, pediu para ser deixado na ilha desabitada de Más a Tierra, no arquipélago chileno de Juan Fernández. Selkirk viveu ali sozinho durante mais de quatro anos, até ser resgatado em 1709 pelo navio comandado por Woodes Rogers. A sua história foi divulgada na época através de relatos de viagem e de uma entrevista publicada em 1713 pelo jornalista Richard Steele, e é provável que Defoe tenha tido conhecimento dela através destas fontes ou de contacto direto com Rogers.
Contudo, historiadores literários como Andrew Lambert, autor do livro Crusoe's Island, defendem que seria um erro atribuir a inspiração da obra a uma única pessoa. Segundo esta perspetiva, Robinson Crusoé resulta de um compósito de várias narrativas de sobrevivência e de aventuras marítimas que circulavam na Inglaterra do início do século XVIII, e não de uma transposição direta da biografia de Selkirk, com quem não há registo de Defoe se ter encontrado pessoalmente.
Sobre o que trata a obra
O romance conta a história de Robinson Crusoé, um inglês que, contrariando a vontade da família, se lança ao mar em busca de aventura e acaba por naufragar numa ilha tropical desabitada, onde permanece isolado durante 28 anos. Ao longo desse período, reconstrói passo a passo as condições de uma vida civilizada: constrói abrigo, cultiva alimentos, cria gado e desenvolve ferramentas, num percurso de autossuficiência que se tornou um dos motivos centrais da literatura ocidental. A narrativa ganha ainda mais densidade com o aparecimento da personagem Sexta-Feira, um nativo que Crusoé salva e que passa a ser seu companheiro, episódio que gerou ao longo dos séculos intensos debates sobre as relações de poder, colonização e representação do "outro" presentes na obra.
Porque se tornou um clássico
O sucesso de Robinson Crusoé foi imediato: nos primeiros quatro meses após a publicação, foram impressas seis edições, totalizando cerca de 80 mil exemplares vendidos, um número extraordinário para a época. Defoe escreveu ainda duas continuações, mas foi o primeiro volume que perdurou no imaginário coletivo. A obra deu origem ao género literário conhecido como "robinsonada", que inspirou inúmeras narrativas posteriores centradas em personagens isoladas que precisam de reconstruir a civilização a partir do zero, de A Ilha Misteriosa, de Júlio Verne, a obras contemporâneas de cinema e literatura. O seu estatuto de obra fundadora do romance realista moderno, associado à força simbólica da história de sobrevivência e engenho humano, explica por que continua a ser estudada e reeditada em 2026, mais de 300 anos após a primeira publicação.
Perguntas frequentes
Quem escreveu Robinson Crusoé?
Robinson Crusoé foi escrito pelo escritor inglês Daniel Defoe, tendo sido publicado pela primeira vez em 25 de abril de 1719.
Robinson Crusoé é uma história real?
É uma obra de ficção, mas inspirou-se em parte na história real do marinheiro escocês Alexander Selkirk, que viveu mais de quatro anos isolado numa ilha do Pacífico, embora os historiadores considerem que Defoe se tenha baseado em várias fontes e não apenas no caso de Selkirk.
Quantos anos passou Robinson Crusoé na ilha?
Na obra de Defoe, a personagem Robinson Crusoé permanece isolada na ilha desabitada durante 28 anos antes de ser resgatada.
Quem é Sexta-Feira em Robinson Crusoé?
Sexta-Feira é um nativo que Crusoé salva da morte e que se torna seu companheiro e auxiliar na ilha, sendo uma das personagens mais discutidas da obra pelas questões de colonização e representação que levanta.