Odin: Quem Foi e o Que Conquistou na Mitologia Nórdica
Odin é a divindade mais importante do panteão nórdico, venerada pelos povos escandinavos durante a chamada Era Viking (aproximadamente entre os séculos VIII e XI). Conhecido como o Pai de Todos (em nórdico antigo Alföðr, frequentemente vertido como «Allfather»), Odin reinava sobre os deuses ásios a partir de Asgard e acumulava domínios tão diversos como a sabedoria, a guerra, a poesia, a magia, a morte e o conhecimento das runas. Ao contrário da imagem do guerreiro puramente bélico, Odin é sobretudo um deus do saber e do destino, disposto a sacrifícios extremos em troca de conhecimento. As fontes principais sobre a sua figura são a Edda em verso e a Edda em prosa, esta última compilada pelo islandês Snorri Sturluson no século XIII.
Quem foi Odin
Na cosmologia nórdica, Odin participou na própria criação do mundo. Segundo a tradição, ele e os irmãos Vili e Vé deram a morte ao gigante primordial Ymir e, a partir do seu corpo, moldaram os nove mundos. Odin habitava Asgard, a morada dos ásios, onde ocupava o trono Hlidskjalf, de onde podia observar tudo o que sucedia em todos os reinos. Era assim simultaneamente criador, governante e guardião da ordem cósmica.
A iconografia tradicional apresenta-o como um ancião de longa barba grisalha, com um chapéu de aba larga ou capuz, envolto num manto e munido de uma lança. Possui um único olho, marca do seu maior sacrifício em nome do conhecimento. É frequentemente retratado como um errante, percorrendo os mundos sob disfarce para reunir saber e pôr à prova quem encontra.
Atributos e símbolos
Odin está associado a um conjunto de símbolos que se tornaram inseparáveis da sua figura:
- Gungnir: a lança que nunca falha o alvo, forjada pelos anões e símbolo do seu poder e da sua autoridade.
- Sleipnir: o cavalo de oito patas, considerado o mais veloz de todos, capaz de percorrer terra, céu e o mundo dos mortos. É filho do deus trapaceiro Loki.
- Huginn e Muninn: dois corvos cujos nomes significam «Pensamento» e «Memória». Sobrevoam diariamente os nove mundos e regressam ao ombro de Odin para lhe relatar tudo o que viram, reforçando o seu papel de deus omnisciente.
- Geri e Freki: dois lobos que o acompanham e a quem entrega o seu alimento, enquanto ele próprio se sustenta apenas de hidromel.
As conquistas de Odin
As «conquistas» de Odin não são, na sua maioria, vitórias militares no sentido convencional, mas antes feitos ligados à obtenção de conhecimento, poder e domínio sobre o destino. São esses os episódios que melhor o definem.
O sacrifício do olho no poço de Mímir
O episódio mais célebre da sua busca pelo saber decorre junto ao poço de Mímir, fonte de sabedoria situada nas raízes da árvore cósmica Yggdrasil. Para poder beber das suas águas e obter conhecimento e clarividência, Odin entregou um dos seus olhos. Daí resulta a sua característica visão única — perdeu metade da visão física para ganhar a visão do destino, do passado e do futuro.
A descoberta das runas
Outro feito fundamental é a aquisição das runas, os símbolos antigos que encerravam poder mágico, sabedoria e domínio sobre as leis do cosmos. Para os alcançar, Odin submeteu-se a uma provação extrema: enforcou-se na árvore Yggdrasil, trespassado pela própria lança, sem comida nem bebida, durante nove noites. No termo desse sofrimento auto-infligido, as runas revelaram-se-lhe. O domínio das runas conferiu-lhe poderes de adivinhação, magia e cura.
O hidromel da poesia
Odin é também o deus da poesia e da inspiração, condição que conquistou ao apoderar-se do hidromel da poesia (Óðrœrir). Recorrendo a astúcia e disfarce, infiltrou-se na morada onde a bebida estava guardada e levou-a consigo, oferecendo aos homens o dom da poesia. Este mito ilustra um traço essencial do deus: a vitória obtida pela inteligência e pelo engano, não pela força bruta.
Valhalla e os einherjar
Enquanto deus da guerra, Odin acolhia em Valhalla (em nórdico antigo Valhöll, o «salão dos mortos») os guerreiros tombados com bravura em combate. Estes guerreiros escolhidos, os einherjar, eram conduzidos pelas valquírias e passavam a existência a combater e a banquetear-se, preparando-se para a batalha final. Reunir este exército de eleitos era, em si, uma conquista estratégica de Odin com vista ao confronto derradeiro.
Odin e o Ragnarök
Toda a acumulação de saber e de guerreiros de Odin tem um horizonte: o Ragnarök, o fim do mundo e a destruição dos deuses. As fontes descrevem-no como um deus consciente do seu próprio destino. Apesar de toda a sua clarividência, sabe que não pode escapar ao fado tecido pelas Nornas. No combate final, está predestinado a ser devorado pelo lobo gigante Fenrir. A figura de Odin é, por isso, marcada por uma dimensão trágica: é o mais sábio dos deuses precisamente porque conhece, sem poder alterá-lo, o seu fim e o dos seus.
Significado e legado
Odin condensa um ideal nórdico em que o conhecimento vale qualquer sacrifício. Perde um olho, suporta nove noites de agonia e recorre constantemente à astúcia para alargar o seu saber e o seu poder. A sua influência persiste até hoje: o seu nome sobrevive no termo inglês Wednesday («dia de Woden», a forma germânica do deus) e a sua figura inspira de forma recorrente a literatura, o cinema, os videojogos e a cultura popular contemporânea.
Perguntas frequentes
Porque é que Odin só tem um olho?
Odin entregou um dos olhos como pagamento para poder beber das águas do poço de Mímir, fonte de sabedoria. Sacrificou parte da visão física para obter conhecimento e clarividência sobre o destino.
Qual é a diferença entre Odin e Thor?
Odin é o pai de Thor e o deus supremo, associado à sabedoria, à magia, à poesia e ao destino. Thor é o deus do trovão e da força, protector dos homens e dos deuses, conhecido pelo seu martelo Mjölnir e por uma índole mais directa e guerreira.
O que é Valhalla na mitologia nórdica?
Valhalla é o grande salão de Odin em Asgard, onde os guerreiros mortos com bravura em combate — os einherjar — são acolhidos. Aí combatem e banqueteiam-se, preparando-se para lutar ao lado de Odin no Ragnarök.
Como morre Odin?
Segundo a tradição, Odin morre durante o Ragnarök, a batalha que marca o fim do mundo, devorado pelo lobo gigante Fenrir. Apesar da sua sabedoria, não consegue evitar o destino traçado pelas Nornas.