Trajano: o imperador que levou Roma ao seu auge territorial
Marco Úlpio Trajano (53–117 d.C.) foi um dos imperadores mais celebrados da história de Roma. Governou o Império Romano entre 98 e 117 d.C. e, sob o seu comando, o império atingiu a maior extensão territorial de sempre. Nascido na Hispânia, foi o primeiro imperador romano de origem provincial — ou seja, nascido fora da península itálica —, o que representou uma viragem simbólica profunda na conceção do poder imperial. O Senado romano conferiu-lhe o título honorífico de optimus princeps («o melhor governante»), distinção que nenhum outro imperador recebeu em vida.
Origens e ascensão ao poder
Trajano nasceu a 18 de setembro de 53 d.C. em Itálica, uma colónia romana situada na Hispânia Bética, correspondente hoje à área de Santiponce, nos arredores de Sevilha. A sua família pertencia à gens Ulpia, de raízes úmbrias itálicas que se tinham estabelecido na Hispânia várias gerações antes. O pai, Marco Úlpio Trajano pai, foi senador e governador provincial, o que proporcionou ao futuro imperador uma formação militar e política sólida desde jovem.
A carreira de Trajano desenvolveu-se sobretudo no exército. Destacou-se como comandante das legiões romanas na Germânia, granjeando uma reputação de disciplina, coragem e lealdade. Em 97 d.C., o imperador Nerva — sem herdeiros e num regime política e militarmente instável — adotou-o formalmente como filho e sucessor. Quando Nerva faleceu em janeiro de 98 d.C., Trajano assumiu o trono sem contestação, tornando-se o décimo terceiro imperador de Roma.
As guerras da Dácia (101–106 d.C.)
A maior ameaça estratégica na fronteira norte do Danúbio era o reino da Dácia, governado pelo rei Decébalo. Os dácios tinham derrotado exércitos romanos anteriores, imposto tributos humilhantes e representavam um perigo permanente para as províncias do Danúbio. Trajano decidiu acabar definitivamente com essa ameaça.
A Primeira Guerra Dácica decorreu entre 101 e 102 d.C. Trajano conduziu pessoalmente as legiões através do Danúbio, derrotou Decébalo em várias batalhas e forçou-o a aceitar condições de paz desfavoráveis: entrega de armas, desmobilização de parte das forças e reconhecimento da supremacia de Roma. A paz, porém, foi frágil.
A Segunda Guerra Dácica, entre 105 e 106 d.C., foi ainda mais decisiva. Trajano lançou uma segunda campanha de grande envergadura, tomou a capital dácia de Sarmizegetusa e destruiu o reino. Decébalo, encurralado, suicidou-se para não cair prisioneiro. O território foi convertido na província romana da Dácia — correspondente grosso modo à atual Roménia —, tornando-se fonte de enorme riqueza em ouro, prata e sal, além de servir como zona tampão contra incursões das estepes do norte.
Para celebrar estas vitórias, Trajano mandou erigir a Coluna de Trajano, inaugurada em 12 de maio de 113 d.C. Com cerca de 30 metros de altura, a coluna apresenta um friso em espiral esculpido com mais de 2 500 figuras que narram as duas guerras dácicas em detalhe. É ainda hoje um dos mais extraordinários documentos históricos e artísticos da Antiguidade, conservado no centro de Roma.
A campanha contra os Partos (113–117 d.C.)
O Império Parto, a leste, era o único poder capaz de rivalizar com Roma. Em 113 d.C., um conflito sobre o trono da Arménia — reino tampão entre os dois impérios — forneceu a Trajano o pretexto para lançar a maior expedição oriental da história romana.
Em 114 d.C., Trajano invadiu e anexou a Arménia como nova província romana. No ano seguinte, avançou para a Mesopotâmia, conquistou toda a bacia do Alto Tigre e do Eufrates, e em 116 d.C. capturou Ctesifonte, a capital do reino parto. Prosseguiu até ao Golfo Pérsico, tornando-se o primeiro — e único — imperador romano a alcançar aquelas águas. Nesse momento, o Império Romano atingiu a sua maior extensão de sempre, abrangendo territórios que vão do norte da Grã-Bretanha ao Golfo Pérsico, e do Atlântico ao Cáucaso e à Mesopotâmia.
Contudo, a sobre-extensão revelou-se problemática. Levantes generalizados eclodiram nas províncias orientais recém-conquistadas, incluindo uma grande revolta judaica no Egito, na Cirenaica e em Chipre (a chamada Guerra de Kitos). Forçado a recuar e a reorganizar as defesas, Trajano adoeceu gravemente durante a campanha. Faleceu em agosto de 117 d.C. em Selino, na Cilícia (atual Turquia), antes de regressar a Roma. As províncias da Mesopotâmia e da Assíria foram subsequentemente abandonadas pelo seu sucessor Adriano, que optou por uma política de consolidação em vez de expansão.
Obras públicas e política interna
Para além das campanhas militares, Trajano distinguiu-se como administrador. O botim e os tributos das guerras dácicas financiaram um vasto programa de obras públicas em todo o império:
- Fórum de Trajano: o maior e último dos fora imperiais de Roma, projetado pelo arquiteto Apolodoro de Damasco e construído entre 107 e 113 d.C. Incluía a Basílica Úlpia — a maior basílica de Roma, com 169 metros de comprimento —, dois grandes archivos, as Mercados de Trajano e a Coluna de Trajano.
- Estradas e pontes: mandou construir a Via Traiana no sul de Itália e a célebre Ponte de Trajano sobre o Danúbio, obra de Apolodoro de Damasco com cerca de 1 135 metros de comprimento — durante séculos a maior ponte do mundo.
- Portos e aquedutos: expandiu o porto de Óstia, a entrada marítima de Roma, e melhorou a rede de abastecimento de água da capital.
- Programa alimenta: instituiu um sistema de assistência social que fornecia alimentos e subsídios a crianças pobres em várias cidades da Itália, financiado através de empréstimos agrícolas a taxas reduzidas.
A política fiscal de Trajano também se distinguiu pela moderação: reduziu alguns impostos, combateu a corrupção e manteve relações cooperantes com o Senado, afastando-se do estilo autoritário de predecessores como Domiciano.
Legado e influência
Trajano morreu em agosto de 117 d.C. tendo adotado o seu sobrinho-neto Adriano como sucessor. As suas cinzas foram depositadas na base da Coluna de Trajano — honra única na história de Roma. A sua memória foi tão positiva que a fórmula com que o Senado romano saudava os novos imperadores passou a ser «Felicior Augusto, melior Traiano» («mais afortunado que Augusto, melhor que Trajano»), reconhecendo-o como o padrão máximo do bom governante.
A historiografia posterior classificou-o entre os chamados «Cinco Bons Imperadores» da dinastia Nerva-Antonina. A sua influência estendeu-se à memória cultural europeia: a Coluna de Trajano inspirou a Coluna Vendôme em Paris e a Coluna de Nelson em Londres. A região da Roménia mantém ligação identitária profunda à sua conquista da Dácia, e o nome «Romania» reflete precisamente a latinização daquele território.
Perguntas frequentes
Quando viveu o imperador Trajano?
Trajano nasceu a 18 de setembro de 53 d.C. em Itálica, na Hispânia Bética (atual Espanha), e faleceu em agosto de 117 d.C. em Selino, na Cilícia (atual Turquia). Governou o Império Romano entre 98 e 117 d.C.
Qual foi a maior conquista militar de Trajano?
As guerras da Dácia (101–106 d.C.) foram as conquistas mais decisivas, resultando na criação da província romana da Dácia (atual Roménia) e na morte do rei Decébalo. A campanha pártica (113–117 d.C.) levou o império à sua máxima extensão territorial, chegando ao Golfo Pérsico.
O que significa «optimus princeps»?
Optimus princeps é uma expressão latina que significa «o melhor governante» ou «o melhor príncipe». Foi um título formal concedido pelo Senado romano a Trajano, reconhecendo a qualidade excecional da sua governação. Nenhum outro imperador recebeu este título em vida.
O que é a Coluna de Trajano?
A Coluna de Trajano é um monumento comemorativo erguido em Roma, inaugurado em 113 d.C. Tem cerca de 30 metros de altura e apresenta um friso esculpido em espiral com mais de 2 500 figuras que narram as duas guerras dácicas. Está conservada até hoje no centro de Roma, no antigo Fórum de Trajano.
Trajano era espanhol?
Trajano nasceu na cidade romana de Itálica, na Hispânia Bética, que corresponde hoje à região de Sevilha, em Espanha. A sua família era de origem italiana (úmbria), mas estava estabelecida na Hispânia há gerações. Foi o primeiro imperador romano nascido fora da Itália, o que torna a sua origem hispânica um elemento central da sua identidade histórica.