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Quem entregou Nova Amesterdão aos ingleses em 1664

Publicado 16. agosto 2025 Atualizado 28. junho 2026

Quem foi responsável pela entrega de Nova-Amsterdã aos ingleses?

A entrega de Nova Amesterdão aos ingleses, em setembro de 1664, foi o resultado de uma convergência de fatores políticos, militares e sociais que envolveu pelo menos três figuras centrais: o rei inglês Carlos II, que autorizou a conquista; o coronel Richard Nicolls, que comandou a expedição naval; e Peter Stuyvesant, o governador holandês que, abandonado pelos seus próprios colonos, não teve outra alternativa senão render a colónia sem um único tiro disparado. A cidade que os holandeses chamavam Nova Amesterdão tornou-se, nesse mesmo mês, Nova Iorque — e mudaria a história do continente americano para sempre.

Contexto: a colónia de Nova Holanda

Nova Amesterdão era a capital da colónia holandesa de Nova Holanda, fundada pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (WIC) na ponta sul da ilha de Manhattan. Desde o início do século XVII, os Países Baixos tinham estabelecido ali um entreposto comercial próspero, centrado principalmente no comércio de peles. A colónia era, contudo, marcada por tensões internas: a WIC governava com mão de ferro, os recursos eram escassos, e a população era heterogénea — incluía holandeses, ingleses, franceses, africanos e membros de diversas nações indígenas. Pedidos de reforços militares feitos ao longo dos anos foram sistematicamente ignorados pela WIC em Amesterdão.

O contexto internacional agravava a situação. Inglaterra e as Províncias Unidas dos Países Baixos eram rivais comerciais ferrenhos, tendo já travado duas guerras entre si durante o século XVII. A presença holandesa no coração do litoral atlântico norte-americano — entalada entre as colónias inglesas de Nova Inglaterra, a norte, e Maryland e Virgínia, a sul — era vista por Londres como uma anomalia inaceitável.

A autorização inglesa: Carlos II e o Duque de Iorque

A decisão política de conquistar Nova Holanda partiu do rei Carlos II de Inglaterra. Em março de 1664, o monarca concedeu ao seu irmão Jaime, Duque de Iorque (o futuro Jaime II de Inglaterra), um vasto território na América do Norte que incluía toda a região entre os rios Delaware e Connecticut — território esse que estava, de facto, sob controlo holandês. O gesto foi deliberadamente provocatório: Carlos II autorizava a conquista de terras que legalmente pertenciam a um Estado soberano com quem Inglaterra não estava formalmente em guerra.

O Duque de Iorque encarregou o coronel Richard Nicolls de liderar a expedição militar. Era a Nicolls que caberia transformar a concessão régia numa realidade concreta no terreno.

A expedição de Richard Nicolls

Richard Nicolls partiu de Portsmouth a 25 de maio de 1664 à frente de quatro navios de guerra — a fragata principal era o HMS Guinea — e cerca de trezentos soldados. A frota chegou à baía de Gravesend, em Long Island, a 27 de agosto de 1664, onde angariou o apoio das milícias das localidades inglesas já estabelecidas na região. Com forças terrestres e navais combinadas, Nicolls avançou para a entrada do porto de Nova Amesterdão e enviou ao governador Stuyvesant uma carta que propunha condições de rendição surpreendentemente generosas: os colonos holandeses poderiam manter as suas propriedades, continuar a praticar a sua religião e conservar os seus privilégios comerciais com a metrópole.

Do ponto de vista militar, Nova Amesterdão estava em posição fraca. O Forte Amsterdão, principal estrutura defensiva da colónia, tinha pólvora insuficiente e os canhões encontravam-se em mau estado. Nicolls sabia que a resistência holandesa seria simbólica, quando muito.

Peter Stuyvesant e a resistência impossível

Peter Stuyvesant (c. 1610 – fevereiro de 1672) era o Diretor-Geral de Nova Holanda desde 1647. Era conhecido pela sua personalidade autoritária e inflexível — perdeu a perna direita num combate contra os espanhóis em São Martinho, substituída por uma prótese de madeira que se tornou a sua imagem de marca. Durante os seus dezassete anos de governação, construiu a muralha defensiva que daria nome à futura Wall Street, abriu canais e expandiu a cidade, mas acumulou inimigos por dentro e por fora através de políticas discriminatórias contra quakers, judeus sefarditas e comunidades indígenas.

Quando as fragatas inglesas apareceram no porto, Stuyvesant quis resistir. Rasgou a carta de Nicolls, recusando-se a lê-la publicamente. Porém, noventa e três dos principais burgueses da cidade — incluindo o seu próprio filho Balthazar — assinaram uma petição a exigir que o governador reconsiderasse e permitisse que os termos fossem debatidos. Pressionado pela população e incapaz de mobilizar qualquer resistência armada, Stuyvesant foi forçado a recolher os pedaços da carta rasgada e a lê-la em voz alta diante da multidão reunida na praça central.

A rendição e os Artigos de Capitulação

A 6 de setembro de 1664, Stuyvesant enviou o seu advogado Johannes de Decker e mais cinco delegados para negociar e assinar os Artigos de Capitulação a bordo de um navio inglês no porto. O documento, negociado na quinta de Stuyvesant e assinado em nome do lado holandês por De Decker, garantia aos colonos a manutenção das suas propriedades, a liberdade religiosa e o direito de regressar aos Países Baixos quem assim o desejasse.

A rendição formal de Nova Amesterdão a Richard Nicolls ocorreu a 8 de setembro de 1664. Nenhum tiro foi disparado. A colónia mais lucrativa da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais na América do Norte passou para mãos inglesas sem qualquer combate.

Consequências imediatas

A cidade foi imediatamente rebatizada Nova Iorque, em honra do Duque de Iorque, o novo proprietário da concessão. Richard Nicolls tornou-se o primeiro governador inglês da colónia e promulgou em 1665 o chamado "Código do Duque", um conjunto de leis que regeria o território. Stuyvesant regressou brevemente aos Países Baixos para prestar contas à WIC pelo que havia perdido, mas acabou por voltar a Nova Iorque, onde viveu numa quinta em Manhattan até à sua morte em fevereiro de 1672. A quinta de Stuyvesant daria mais tarde nome ao bairro de Stuyvesant Town.

Os Países Baixos recuperaram brevemente o controlo da cidade em 1673, durante a Terceira Guerra Anglo-Holandesa, renomeando-a Nova Orange. Contudo, pelo Tratado de Westminster de 1674, devolveram-na definitivamente a Inglaterra. Nova Iorque nunca mais voltaria a ser holandesa.

Perguntas frequentes

Quem foi o responsável direto pela entrega de Nova Amesterdão aos ingleses?

O governador holandês Peter Stuyvesant foi o responsável formal pela rendição. Apesar de querer resistir, não teve apoio da população colonial e assinou a capitulação a 6 de setembro de 1664, através do seu advogado Johannes de Decker. Do lado inglês, o coronel Richard Nicolls liderou a expedição naval enviada pelo Duque de Iorque, a pedido do rei Carlos II.

Houve combates na conquista de Nova Amesterdão?

Não. A conquista foi completamente pacífica. Os colonos holandeses recusaram-se a combater, o Forte Amsterdão tinha pólvora insuficiente, e as condições de rendição oferecidas pelos ingleses eram generosas. Nenhum tiro foi disparado durante toda a operação.

Porque é que a população de Nova Amesterdão não resistiu aos ingleses?

A população era heterogénea e incluía muitos colonos de origem inglesa ou sem lealdade particular à bandeira holandesa. Além disso, Stuyvesant era um governante impopular pelo seu autoritarismo, e a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais havia durante anos ignorado os pedidos de reforços militares, gerando descontentamento generalizado.

O que aconteceu a Peter Stuyvesant após a rendição?

Stuyvesant viajou de volta aos Países Baixos para se justificar perante a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, mas acabou por regressar a Nova Iorque, onde viveu na sua quinta em Manhattan até falecer em fevereiro de 1672. A sua propriedade daria mais tarde nome ao bairro nova-iorquino de Stuyvesant Town.

Quando é que Nova Amesterdão passou a chamar-se Nova Iorque?

A cidade foi rebatizada Nova Iorque imediatamente após a rendição, em setembro de 1664, em honra do Duque de Iorque (futuro Jaime II de Inglaterra), a quem o rei Carlos II tinha concedido o território. O nome manteve-se após a breve recuperação holandesa em 1673–1674.

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