Baku: capital do Azerbaijão — história, factos e curiosidades
Baku é a capital e a maior cidade do Azerbaijão, bem como o maior centro urbano da costa do mar Cáspio e de toda a região do Cáucaso. Situada na península de Abşeron, a cidade apresenta uma característica geográfica singular: encontra-se a 28 metros abaixo do nível do mar, o que a torna a capital nacional mais baixa do mundo e a maior cidade do planeta localizada abaixo do nível dos oceanos. Em 2026, a população da área metropolitana de Baku ronda os 2,4 milhões de habitantes, correspondendo a cerca de um quarto de toda a população azerbaijana, o que reflete a posição dominante que a cidade ocupa na vida política, económica e cultural do país.
Nome e localização
A etimologia do nome «Baku» é objeto de debate entre os historiadores. A teoria mais aceite deriva do persa Bād-kūbə, que significa «cidade fustigada pelo vento» — referência aos fortes ventos que varrem a península de Abşeron ao longo de todo o ano. A cidade localiza-se na costa ocidental do mar Cáspio, o maior lago do mundo, e beneficia de uma posição estratégica que durante séculos atraiu comerciantes, conquistadores e exploradores provenientes da Pérsia, da Rússia e do mundo árabe.
História: do feudo medieval ao «ouro negro»
Os primeiros registos de Baku enquanto localidade habitada remontam ao século V da era comum, embora as muralhas da cidade velha, ainda hoje conservadas, datem maioritariamente do século XII. Durante a Idade Média, a cidade esteve sob o domínio do Sultanato dos Shirvanxás, depois integrou o Império Persa Safávida e, em 1806, foi incorporada no Império Russo após a guerra russo-persa.
A grande viragem histórica ocorreu na segunda metade do século XIX, com a exploração industrial do petróleo. O Azerbaijão alberga o local onde foi perfurado o primeiro poço de petróleo por métodos mecânicos do mundo, na região de Bibi-Heybat, em 1846 — anos antes do famoso poço de Edwin Drake na Pensilvânia. No início do século XX, Baku produzia cerca de metade de todo o petróleo comercializado a nível internacional. Esta riqueza atraiu capitais europeus e transformou radicalmente a cidade: entre 1856 e 1910, a sua população cresceu a uma taxa superior à de Londres, Paris, Nova Iorque ou Tóquio. Os magnatas do petróleo — entre os quais a família Nobel, cujo membro Ludvig Nobel investiu amplamente na região — financiaram a construção de palácios e avenidas de estilo neoclássico que ainda marcam o centro histórico.
Após a Revolução Russa, Baku tornou-se capital da República Socialista Soviética do Azerbaijão em 1920. Com a dissolução da União Soviética, o Azerbaijão declarou independência em 1991 e Baku reafirmou-se como capital do novo Estado soberano.
Icheri Sheher: a cidade velha Património da UNESCO
O coração histórico de Baku é Icheri Sheher (em azerbaijanês, «Cidade Interior»), um bairro amuralhado classificado como Património Mundial da UNESCO em 2000. Trata-se de um núcleo medieval habitado, com ruas estreitas revestidas de calcário, caravançarais medievais transformados em hotéis e museus, e dois monumentos centrais:
- Torre da Donzela (Qız Qalası): estrutura cilíndrica do século XII com cerca de 29 metros de altura, cujo propósito original — defensivo, astronómico ou religioso — continua a ser debatido pelos investigadores.
- Palácio dos Shirvanxás: complexo arquitetónico do século XV que constituiu a residência da dinastia dos Shirvanxás e inclui um mausoléu, uma mesquita e um banho público medieval.
Icheri Sheher não é um museu ao ar livre: permanece um bairro residencial ativo, onde cerca de três mil pessoas vivem entre os mesmos muros que testemunharam séculos de história.
As Flame Towers e o Baku moderno
Em contraste com a cidade velha medieval, o skyline contemporâneo de Baku é dominado pelas Flame Towers (Alov Qüllələri), três arranha-céus de forma ondulante inaugurados em 2012, com alturas entre os 160 e os 190 metros. A sua silhueta evoca chamas, numa referência deliberada à tradição do culto do fogo que caracterizou o Azerbaijão durante milénios — o país era conhecido na Antiguidade como a «terra dos fogos eternos» devido às emanações naturais de gás que incendiavam espontaneamente o solo. À noite, as torres são revestidas por mais de dez mil painéis LED que reproduzem animações de chamas visíveis a vários quilómetros de distância.
O novo centro de Baku inclui ainda o Museu do Tapete do Azerbaijão, alojado num edifício concebido pelo arquiteto austríaco Franz Janz com a forma de um tapete enrolado — um dos edifícios mais reconhecíveis da cidade. Os tapetes azerbaijanos, com tradições que remontam a milénios, são considerados Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO desde 2010.
Curiosidades notáveis
- Yanar Dag — a montanha em chamas: a cerca de 25 quilómetros de Baku, na encosta de uma colina, ardem chamas alimentadas por emanações naturais de gás que nunca se extinguiram — nem durante as chuvas. Embora a tradição local fale em «quatro mil anos», os registos históricos documentam o fenómeno desde pelo menos o século XIII, quando o explorador Marco Polo descreveu com admiração as «fontes de fogo» do Azerbaijão.
- Garry Kasparov: o Grande Mestre de xadrez considerado por muitos o melhor de todos os tempos nasceu em Baku em 1963. Em 1985, com 22 anos, tornou-se o campeão mundial mais jovem da história, superando Anatoly Karpov.
- A cidade mais baixa do mundo: com a sua posição a 28 metros abaixo do nível do mar, Baku é simultaneamente a capital nacional mais baixa e a maior cidade do mundo abaixo do nível dos oceanos.
- Grande Prémio de Fórmula 1: desde 2017, Baku acolhe anualmente o Grande Prémio do Azerbaijão de Fórmula 1, disputado num circuito urbano que percorre as ruas da cidade antiga e as avenidas modernas da capital. O traçado é conhecido pelas suas secções de alta velocidade e pelas paredes estreitas junto às muralhas medievais.
- Capital Mundial do Desporto em 2026: a Associação Internacional do Desporto para Todos designou Baku como Capital Mundial do Desporto para 2026, reconhecendo o investimento da cidade na infraestrutura desportiva desde os Jogos Europeus de 2015.
- COP29 em 2024: em novembro de 2024, Baku acolheu a 29.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP29), num evento que suscitou debate internacional dado que o Azerbaijão continua a ser um país com uma economia fortemente dependente dos hidrocarbonetos.
Clima e o «vento de Baku»
A cidade experimenta um clima semiárido frio, com verões quentes e secos e invernos amenos. O elemento climático mais característico é o vento — em particular o khazri, um vento frio e seco proveniente do norte que pode atingir velocidades consideráveis na peninsula de Abşeron, e o gilavar, mais quente e proveniente do sul. Esta característica ventosa está na origem do próprio nome da cidade e moldou a sua arquitetura tradicional, com pátios interiores concebidos como abrigo contra as rajadas.
Perguntas frequentes
Qual é a capital do Azerbaijão?
A capital do Azerbaijão é Baku (em azerbaijanês: Bakı). É também a maior cidade do país e da região do Cáucaso, com uma população metropolitana de cerca de 2,4 milhões de habitantes em 2026.
Porque é que Baku é conhecida como a «cidade dos fogos»?
O Azerbaijão era historicamente conhecido pela existência de emanações naturais de gás que provocavam incêndios espontâneos no solo, venerados por comunidades zoroastristas. A tradição perdurou em locais como Yanar Dag, onde as chamas nunca se extinguem, e inspirou o simbolismo das modernas Flame Towers.
O que é Icheri Sheher?
Icheri Sheher é a cidade velha amuralhada de Baku, classificada como Património Mundial da UNESCO em 2000. Alberga a Torre da Donzela (século XII) e o Palácio dos Shirvanxás (século XV), e continua a ser um bairro residencial habitado.
Baku fica abaixo do nível do mar?
Sim. Baku situa-se a 28 metros abaixo do nível do mar, o que a torna a capital nacional mais baixa do mundo e a maior cidade do planeta localizada abaixo do nível dos oceanos.
Que eventos internacionais se realizaram recentemente em Baku?
Entre os eventos de maior relevo destacam-se os Jogos Europeus de 2015, o Grande Prémio de Fórmula 1 (desde 2017, anualmente), a COP29 em novembro de 2024 e a designação como Capital Mundial do Desporto para 2026.