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História de Madagáscar: do povoamento ao golpe de 2025

Publicado 11. março 2025 Atualizado 28. junho 2026

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Madagáscar, a quarta maior ilha do mundo, situada no oceano Índico ao largo da costa sudeste de África, possui uma história singular que combina raízes asiáticas e africanas, reinos poderosos, colonização francesa e uma independência marcada por sucessivas crises políticas. Da chegada dos primeiros navegadores austronésios até ao golpe militar de outubro de 2025, a Grande Ilha percorreu um trajeto que a distingue de qualquer outro território do continente africano. Este artigo apresenta uma síntese das principais etapas dessa história.

O povoamento: uma ilha entre dois continentes

Ao contrário do que a proximidade geográfica de África poderia sugerir, os primeiros habitantes permanentes de Madagáscar chegaram do Sudeste Asiático. Por volta do início do primeiro milénio da nossa era, navegadores austronésios, originários do arquipélago indonésio, atravessaram o oceano Índico em embarcações e instalaram-se na ilha. A esta vaga juntaram-se posteriormente populações bantas vindas da África oriental, bem como mercadores árabes e suaílis.

Desta mistura nasceu o povo malgaxe e a língua malgaxe, que pertence à família austronésia, mas integra empréstimos bantos, árabes e, mais tarde, franceses. A agricultura do arroz, a criação de zebus e certas práticas culturais refletem ainda hoje essa herança dupla, asiática e africana.

Os reinos malgaxes e a unificação merina

Durante séculos, a ilha esteve dividida em vários reinos e chefias, frequentemente rivais. Entre os principais grupos contavam-se os Sakalava, na costa ocidental, e os Merina, no planalto central. A partir do final do século XVIII e ao longo do século XIX, o Reino de Imerina, com capital em Antananarivo, expandiu-se até dominar grande parte do território.

O rei Radama I (que reinou entre 1810 e 1828) foi figura decisiva nesse processo. Estabeleceu relações com a Grã-Bretanha, acolheu missionários protestantes que introduziram a escrita do malgaxe em alfabeto latino e modernizou o exército. A sua sucessora, a rainha Ranavalona I, inverteu parte dessa abertura, perseguindo cristãos e tentando travar a influência europeia. Já no final do século, sob a rainha Ranavalona III e o primeiro-ministro Rainilaiarivony, o reino procurou equilibrar-se entre as ambições francesas e britânicas.

A colonização francesa

O destino da ilha mudou quando a França, no quadro da partilha de África, decidiu impor o seu domínio. Após duas expedições militares, Madagáscar foi declarada colónia francesa em 1896, e a monarquia merina foi abolida. A rainha Ranavalona III seguiu para o exílio na Argélia, onde viria a morrer. O general Joseph Gallieni tornou-se governador e consolidou a administração colonial.

O período colonial trouxe infraestruturas, mas também trabalho forçado, expropriações e forte repressão. O descontentamento culminou na insurreição de 1947, uma das mais sangrentas revoltas anticoloniais de África, esmagada pelas forças francesas com um número de mortos que se estima em dezenas de milhares. Apesar da derrota, o movimento alimentou a aspiração à independência.

A independência e as repúblicas

Madagáscar tornou-se independente a 26 de junho de 1960, no contexto da descolonização generalizada do continente. Philibert Tsiranana foi o primeiro presidente, liderando a Primeira República em estreita ligação com a antiga potência colonial. Essa proximidade gerou crescente contestação.

Em 1972, protestos populares levaram à queda de Tsiranana. Seguiu-se um período de instabilidade que conduziu, em 1975, à ascensão de Didier Ratsiraka, militar que instaurou um regime de orientação socialista, nacionalizou setores da economia e aproximou o país do bloco de leste. As dificuldades económicas e a abertura democrática do início dos anos 1990 abriram caminho à eleição de Marc Ravalomanana, empresário que governou a partir de 2002.

Crises políticas recorrentes

A história recente de Madagáscar tem sido pontuada por crises. Em 2009, Ravalomanana foi derrubado num golpe que levou ao poder Andry Rajoelina, então autarca de Antananarivo, com apoio de setores das forças armadas. A transição foi longa e contestada internacionalmente. Rajoelina viria a vencer eleições em 2018 e a ser reeleito em 2023, num escrutínio marcado por boicote da oposição e baixa participação.

Por detrás da instabilidade política persistem problemas estruturais graves: Madagáscar é um dos países mais pobres do mundo, com elevada dependência da agricultura, vulnerabilidade a ciclones e secas, e cortes crónicos de água e eletricidade. A biodiversidade única da ilha — com espécies como os lémures, endémicas do território — convive com forte pressão sobre as florestas.

O golpe de 2025 e a situação em 2026

Em setembro de 2025, manifestações lideradas sobretudo por jovens, inicialmente motivadas pela falta de água e eletricidade, transformaram-se num movimento de contestação ao presidente Andry Rajoelina. A repressão inicial provocou vários mortos e agravou a revolta.

A 12 de outubro de 2025, a unidade militar de elite CAPSAT juntou-se aos protestos e tomou o poder. Rajoelina abandonou o país, tendo sido, segundo a imprensa, evacuado num avião militar francês. A 14 de outubro, a Assembleia Nacional aprovou a sua destituição. O coronel Michael Randrianirina, líder do golpe, tomou posse como presidente de transição a 17 de outubro de 2025.

A União Africana suspendeu Madagáscar e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) manifestou preocupação com a mudança inconstitucional de poder. Randrianirina anunciou uma transição de cerca de dois anos, com eleições previstas, à data, para o final de 2027. Já em março de 2026, o presidente demitiu o primeiro-ministro e todo o governo, sinal de que a estabilização política do país permanece incerta.

Perguntas frequentes

De onde vieram os primeiros habitantes de Madagáscar?

Os primeiros povoadores permanentes chegaram do Sudeste Asiático, sobretudo do arquipélago indonésio, no início do primeiro milénio. Mais tarde juntaram-se populações africanas bantas e mercadores árabes, dando origem ao povo malgaxe.

Quando é que Madagáscar se tornou independente?

Madagáscar tornou-se independente da França a 26 de junho de 1960, sendo Philibert Tsiranana o seu primeiro presidente.

Quem governa Madagáscar em 2026?

Em 2026, o país é liderado pelo coronel Michael Randrianirina, que tomou o poder num golpe militar em outubro de 2025 e preside a uma transição com eleições previstas para 2027.

O que aconteceu no golpe de 2025?

Após semanas de protestos juvenis contra o presidente Andry Rajoelina, a unidade militar CAPSAT tomou o poder a 12 de outubro de 2025. Rajoelina fugiu do país e foi destituído pela Assembleia Nacional.

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