Deserto do Gobi: o grande deserto frio da Mongólia
O deserto do Gobi é um vasto deserto frio que se estende pelo sul da Mongólia e pelo norte da China, cobrindo cerca de 1 295 000 km² — uma área superior ao território da África do Sul. É o maior deserto da Ásia e o sexto maior do mundo, sendo também um dos mais distintos pela sua natureza de deserto frio de altitude. O nome "Gobi" provém da palavra mongol говь, que significa "lugar sem água". Apesar da imagem popular de areias douradas, o Gobi é, na sua maior parte, uma planície rochosa de estepe árida, repleta de contrastes extremos e de uma riqueza natural e paleontológica excecional.
Localização e extensão
O Gobi ocupa o sul da Mongólia e estende-se pela Região Autónoma da Mongólia Interior, na China. É delimitado a norte e a oeste pelo Altai Mongol e pelas estepes da Mongólia Central, e a sul pela Planície do Norte da China. A sua altitude varia entre 910 e 1 520 metros acima do nível do mar, o que é um fator determinante para o seu clima rigoroso. O deserto encontra-se a uma distância considerável do oceano, o que amplifica as características continentais do seu clima.
Porque é o Gobi um deserto frio
Ao contrário dos desertos quentes como o Saara ou o Arábico, o Gobi é classificado como deserto frio — também designado por deserto continental ou deserto de altitude. Esta classificação deve-se à combinação de três fatores: a latitude elevada (entre 37° e 50° N), a altitude significativa do planalto em que se situa e o afastamento dos oceanos. Estes fatores tornam os invernos extremamente rigorosos, com nevões e geadas frequentes sobre as próprias dunas de areia.
As temperaturas no Gobi apresentam uma das amplitudes térmicas mais extremas do planeta: podem descer até −40 °C no inverno e subir a 45 °C no verão. Mais extraordinário ainda é que variações de 35 °C num único dia são registadas com regularidade. A precipitação anual média ronda os 194 mm, com grande irregularidade: as zonas ocidentais recebem menos de 50 mm por ano, enquanto o nordeste pode atingir mais de 200 mm.
Paisagem: muito mais do que areia
Um dos equívocos mais comuns sobre o Gobi é associá-lo inteiramente a dunas de areia. Na realidade, apenas cerca de 5% da sua superfície é coberta por areia. A maior parte do território é constituída por planícies rochosas nuas, chamadas reg ou pediplanos, bem como por vastas estepes cobertas de vegetação esparsa, vales verdejantes, oásis, lagos e rios temporários. Existem ainda formações montanhosas com picos cobertos de neve, falésias avermelhadas ricas em fósseis e campos de dunas douradas, como as célebres Dunas de Khongoryn Els, com mais de 800 metros de altitude. A diversidade paisagística do Gobi contribui para que seja um dos destinos de ecoturismo de maior crescimento na Ásia Central.
Clima e estações
O Gobi tem um clima continental extremo. O inverno, de novembro a março, é severo e seco, com ventos frios provenientes da Sibéria. A primavera é curta, ventosa e propícia a tempestades de areia. O verão, concentrado em julho e agosto, é quente a quente durante o dia, mas as noites mantêm-se frescas devido à altitude. O outono é geralmente ameno e é a estação preferida para expedições científicas e turísticas. As tempestades de areia, chamadas sharav em mongol, são um fenómeno frequente na primavera e podem reduzir a visibilidade a zero em questão de minutos.
Fauna
Apesar das condições extremas, o Gobi alberga uma fauna notavelmente diversa. Entre as espécies mais emblemáticas conta-se o camelo bactriano selvagem (Camelus ferus), um dos mamíferos mais ameaçados do mundo, com uma população estimada em menos de 1 000 indivíduos. O urso do Gobi (Ursus arctos gobiensis), conhecido localmente como mazaalai, é uma subespécie única do urso-pardo adaptada ao deserto, com apenas algumas dezenas de indivíduos sobreviventes — sendo o único urso no mundo a viver num deserto quente durante o verão e frio no inverno.
Outros animais presentes incluem o leopardo-das-neves, o cavalo selvagem de Przewalski (reintroduzido na região), o asno selvagem mongol (kulan), a gazela-preta, a doninha-marmorada e inúmeras espécies de répteis e aves adaptadas às condições áridas. O Gobi é também um corredor migratório importante para várias espécies de aves.
Flora
A vegetação do Gobi é esparsa mas adaptada às condições extremas de secura e temperatura. As espécies dominantes incluem Haloxylon persicum (saxaul branco), um arbusto que pode atingir os 4 metros e que desempenha um papel crucial na fixação dos solos arenosos, bem como diversas espécies de Artemisia, Stipa capillata (erva-palha) e Caragana. Nos oásis e leitos de rios temporários crescem salgueiros, álamos e tamargueiras. Nas zonas mais áridas do sul, a vegetação é praticamente inexistente.
Um cemitério de dinossauros
O Gobi é um dos locais mais importantes do mundo em termos de paleontologia. Desde as primeiras expedições americanas nos anos 1920, coordenadas pelo Museu Americano de História Natural, os seus estratos de rochas sedimentares do Cretácico têm fornecido descobertas extraordinárias. Em 2025 e 2026, investigadores continuaram a revelar novas espécies a partir de fósseis exumados no Gobi mongol.
Em março de 2025, foi identificada a espécie Duonychus tsogtbaatari, um dinossauro com garras de dois dedos: a maior garra completamente preservada jamais descoberta, com quase 30 cm. Em setembro de 2025, um esqueleto completo de Zavacephale rinpoche, um paquicefalossáuro de cerca de 1 metro, foi anunciado como o mais antigo e completo da sua família, provocando reações de espanto entre paleontólogos experientes. Estimativas recentes apontam para que, em 2025, tenham sido descritas 44 novas espécies de dinossauros em todo o mundo, com um contributo substancial das escavações no Gobi.
Ameaças ambientais e desertificação
O Gobi enfrenta ameaças crescentes em resultado das alterações climáticas e da atividade humana. A Mongólia registou um aumento médio de temperatura de 2,26 °C nos últimos 80 anos — mais do dobro da média global — e uma redução de 7% na precipitação entre 1940 e 2015. Em consequência, mais de 76,9% do território mongol está afetado por algum grau de degradação, e estima-se que o deserto avance anualmente cerca de 3 600 km² em direção às estepes do norte e à China.
O sobrepastoreio, a mineração intensiva e a desertificação provocada pelo aquecimento global têm devastado os ecossistemas de estepe que rodeiam o Gobi. Os pastores nómadas mongóis, que dependem há séculos destes territórios, estão entre os mais afetados. O fenómeno dzud — inverno extremo com neve excessiva seguida de verão de seca severa — tem ocorrido com frequência crescente, destruindo rebanhos inteiros. Em 2026, a Mongólia acolherá a 17.ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), sublinhando a urgência global destas questões.
Em resposta, o governo mongol lançou a Campanha do Bilião de Árvores, um programa de reflorestação que visa reduzir a erosão e estabilizar os solos nas zonas periféricas do Gobi, embora os resultados a longo prazo dependam também de políticas internacionais de redução de emissões.
Perguntas frequentes
Onde fica o deserto do Gobi?
O deserto do Gobi situa-se no sul da Mongólia e no norte da China, ocupando cerca de 1 295 000 km². É delimitado a norte pelas estepes mongolas e a sul pela Planície do Norte da China.
Por que razão o Gobi é chamado de deserto frio?
Porque, ao contrário dos desertos tropicais, o Gobi tem invernos muito rigorosos, com temperaturas que podem baixar até −40 °C. A sua altitude elevada (entre 910 e 1 520 metros) e a latitude setentrional impedem o aquecimento constante que caracteriza os desertos quentes.
O deserto do Gobi tem dunas de areia?
Sim, mas são uma minoria. Apenas cerca de 5% do Gobi é coberto por areia. O restante território é dominado por planícies rochosas, estepes áridas, vales e montanhas.
Que animais vivem no deserto do Gobi?
O Gobi alberga espécies raras como o camelo bactriano selvagem, o urso do Gobi (mazaalai), o leopardo-das-neves, o asno selvagem mongol (kulan), a gazela-preta e o cavalo de Przewalski. Muitas destas espécies estão em perigo de extinção.
O Gobi tem fósseis de dinossauros?
Sim. O Gobi é um dos mais ricos repositórios de fósseis de dinossauros do mundo. Em 2025 foram descobertas espécies novas como o Duonychus tsogtbaatari e o Zavacephale rinpoche, e as escavações continuam em 2026.