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Importância dos submarinos nas guerras: da I Guerra ao século XXI

Publicado 7. dezembro 2024 Atualizado 28. junho 2026

Qual foi a importância dos submarinos nas guerras?

O submarino é uma das invenções que mais profundamente transformou a guerra naval. Desde os seus primórdios experimentais no século XIX até aos actuais colossais ballistic missile submarines (SSBN) equipados com ogivas nucleares, esta plataforma redefiniu o conceito de poder marítimo, introduziu a guerra submarina como disciplina estratégica autónoma e alterou o equilíbrio de forças em dois conflitos mundiais. Em 2026, os submarinos continuam a ser considerados um dos vectores militares mais decisivos por potências como os Estados Unidos, a Rússia, a China, o Reino Unido e a França.

As origens: da experiência ao combate

As primeiras tentativas de criar embarcações submersíveis com fins militares remontam ao século XVII, mas foi durante a Guerra Civil Americana (1861-1865) que um submarino afundou pela primeira vez um navio de guerra em combate: o H.L. Hunley, da Confederação, destruiu a corveta da União USS Housatonic em 1864. A façanha foi historicamente significativa, mas o protótipo era primitivo e perecia após cada missão.

O verdadeiro salto tecnológico ocorreu no final do século XIX, com o engenheiro irlando-americano John Philip Holland a desenvolver modelos movidos por motor a gasolina em superfície e por electricidade em imersão. Em 1900, a Marinha dos Estados Unidos adquiriu o seu primeiro submarino operacional, o USS Holland. Pouco depois, as marinhas europeias — em especial a britânica e a alemã — investiram intensamente nesta nova arma.

A Primeira Guerra Mundial: o submarino como arma estratégica

Foi durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) que o submarino demonstrou, pela primeira vez em grande escala, o seu potencial para alterar o curso de um conflito. A Alemanha, impossibilitada de quebrar o bloqueio naval britânico com a sua frota de superfície, apostou nos Unterseeboote — os famosos U-boats — como substitutos dos cruzadores-corsários tradicionais.

A estratégia alemã assentou na guerra económica: atacar o comércio marítimo aliado para estrangular o abastecimento de grã, munições e matérias-primas ao Reino Unido. No total, a Alemanha e a Áustria-Hungria afundaram cerca de 5 000 navios mercantes, causando a morte de aproximadamente 15 000 marinheiros aliados. No auge da campanha submarina, em Abril de 1917, os U-boats alemães afundavam uma média de quase 900 000 toneladas de carga por mês.

A decisão alemã de declarar guerra submarina sem restrições em Fevereiro de 1917 — atacando qualquer navio, incluindo de países neutros — revelou-se uma faca de dois gumes: acelerou a entrada dos Estados Unidos na guerra, em Abril do mesmo ano, um factor que contribuiria de forma decisiva para a derrota do Império Alemão. O episódio ilustrou como o submarino, embora poderoso, podia também desencadear consequências políticas imprevisíveis.

Para contrariar a ameaça submarina, os Aliados desenvolveram o sistema de comboios escoltados, o sonar (ASDIC) e as cargas de profundidade. Estas contramedidas reduziram significativamente as perdas aliadas nos meses finais da guerra.

A Segunda Guerra Mundial: o Atlântico e o Pacífico

Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o submarino atingiu o seu expoente máximo enquanto arma de guerra convencional, em dois teatros de operações radicalmente diferentes.

A Batalha do Atlântico

A Alemanha retomou a guerra submarina com uma frota de U-boats mais moderna, mais rápida e operada por tripulações altamente treinadas. A táctica das Wolfsrudel (matilhas de lobos) — grupos de submarinos que atacavam em coordenação nocturna na superfície — durante os chamados "anos dourados" de 1940 e 1941, infligiu perdas devastadoras à navegação aliada. Ao longo de todo o conflito, os submarinos alemães afundaram mais de 6 000 navios mercantes e de guerra, totalizando dezenas de milhões de toneladas de carga.

A resposta aliada foi igualmente intensa: o uso combinado de radares aerotransportados, aviação de patrulha de muito longo alcance, descodificação do código Enigma (graças ao trabalho em Bletchley Park) e novos destroços de escolta acabou por inverter a situação. Em 1943, os U-boats passaram a sofrer perdas superiores às que infligiam — um ponto de viragem que assegurou o fluxo de abastecimentos e tropas para a Grã-Bretanha essencial à eventual invasão do continente europeu.

O teatro do Pacífico

No Oceano Pacífico, foram os submarines americanos — e não os alemães — os mais eficazes da guerra. Operando contra o Japão a partir de 1941, destruíram sistematicamente as linhas de abastecimento do Império do Sol Nascente, que dependia do transporte marítimo para quase todas as suas matérias-primas. Os resultados foram notáveis: os submarinos norte-americanos afundaram 1 314 navios de guerra e mercantes inimigos, representando 55 % de todas as perdas navais das potências do Eixo no Pacífico, com um total de 5,3 milhões de toneladas de carga destruída. Esta campanha de estrangulamento económico foi um factor determinante no colapso da capacidade de combate japonesa.

A Guerra Fria: dissuasão nuclear e a tríade estratégica

Com o fim da Segunda Guerra Mundial e o início da era nuclear, o papel do submarino transformou-se profundamente. O desenvolvimento dos submarinos de mísseis balísticos (SSBN — Submarine, Ship, Ballistic missile, Nuclear) criou uma nova dimensão estratégica: a da dissuasão nuclear garantida.

A lógica é simples mas poderosa — um submarino nuclear armado com mísseis balísticos de alcance intercontinental, patrulhando silenciosamente no fundo do oceano, é virtualmente impossível de localizar e destruir num primeiro golpe. Isso garante a capacidade de segundo ataque: mesmo que um país sofra um ataque nuclear devastador, os seus SSBN sobrevivem e podem retaliar. Esta garantia de retaliação torna o ataque nuclear inicial irracional, fundamentando toda a doutrina da Destruição Mútua Assegurada (MAD — Mutually Assured Destruction).

Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos desenvolveram as classes George Washington e, mais tarde, Ohio, equipadas com mísseis Trident. A União Soviética respondeu com as classes Yankee, Delta e Typhoon — este último o maior submarino alguma vez construído, com mais de 170 metros de comprimento e capacidade para lançar mísseis intercontinentais de baixo do gelo Árctico. Os oceanos tornaram-se, assim, um espaço permanente de confronto invisível.

Os submarinos em 2026: modernização e novos actores

Em 2026, os SSBN continuam a constituir um dos pilares da dissuasão nuclear mundial. Os Estados Unidos encontram-se em plena construção da nova classe Columbia, que substituirá gradualmente os submarinos da classe Ohio, estando equipada com mísseis Trident II D5. A França iniciou em Março de 2024 o programa SNLE 3G, com o primeiro exemplar esperado para 2035. A Rússia confirmou o desenvolvimento de uma quinta geração de submarinos nucleares estratégicos, e a China opera seis SSBN da classe Jin (Tipo 094), considerados pela Defesa dos EUA como a "primeira dissuasão nuclear credível baseada no mar" de Pequim.

Para além da função estratégica nuclear, os submarinos convencionais e nucleares de ataque (SSN) desempenham hoje missões de recolha de informações, inserção de forças especiais, interdição de comunicações submarinas e patrulhamento de zonas económicas exclusivas. O acordo AUKUS, firmado em 2021 entre os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália, prevê o fornecimento de submarinos nucleares de propulsão (mas de armamento convencional) à Austrália, ilustrando o valor estratégico crescente desta plataforma na rivalidade sino-americana no Indo-Pacífico.

Perguntas frequentes

Qual foi o papel dos U-boats alemães na Primeira Guerra Mundial?

Os U-boats foram utilizados pela Alemanha para cortar as linhas de abastecimento marítimo aliadas, afundando cerca de 5 000 navios mercantes. A sua campanha de guerra submarina sem restrições, declarada em 1917, contribuiu para a entrada dos Estados Unidos no conflito.

Em que guerra os submarinos tiveram maior impacto militar?

Na Segunda Guerra Mundial, tanto no Atlântico (U-boats alemães) como no Pacífico (submarinos americanos). No Pacífico, os submarinos dos EUA afundaram 55 % de todos os navios de guerra e mercantes do Eixo, sendo decisivos para o colapso do Japão.

O que são submarinos SSBN e qual é a sua importância?

SSBN são submarinos nucleares armados com mísseis balísticos intercontinentais. A sua capacidade de permanecer ocultos indefinidamente garante a possibilidade de um segundo ataque nuclear, tornando-os o pilar da dissuasão estratégica entre potências nucleares desde a Guerra Fria.

Quais os países que possuem submarinos nucleares em 2026?

Em 2026, os países com submarinos de propulsão nuclear são os Estados Unidos, a Rússia, o Reino Unido, a França, a China e a Índia. A Austrália está a adquirir submarinos nucleares de propulsão (armamento convencional) no âmbito do acordo AUKUS.

Como é que se combate um submarino?

As principais técnicas de guerra anti-submarina (ASW) incluem o sonar activo e passivo, a aviação de patrulha marítima com boias sonar e torpedos, os destroços e fragatas especializados, e os próprios submarinos de ataque. A descodificação de comunicações inimigas, como o Enigma na Segunda Guerra Mundial, foi também um instrumento fundamental.

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